quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

MENTIRAS SINCERAS INTERESSAM?


Clara foi convidada por Edu para jantar na casa dele e decidiu caprichar para impressioná-lo, eles tinham sido apresentados por um amigo em comum em um evento esportivo. Ela foi ao cabeleireiro mais requisitado da cidade, maquiou-se de forma melindrosa, escolheu um vestido potencialmente atraente, calçou os seus sapatos, de salto mais alto, pôs um par de brincos longos e uma dosagem irresistível atrás da orelha de perfume francês.

Quando chegou ao apartamento do Edu foi recebida com rosas azuis, uma das mais raras, ela ainda ficou impressionada com o cenário fabricado por ele: luz discreta, música em um tom suave e incenso com aroma de flores do campo. Ao entrar na sala de jantar, ela foi conduzida até a mesa iluminada com velas, Edu serviu-lhe champagne e os dois ainda dançaram. Ao sentar-se, radiante, Clara percebeu que ele estava usando um perfume que ela gostava muito. Todos os seus sentidos – visão, audição, tato e olfato – estavam “apaixonados” no grau mais elevado.

Conversaram muito sobre o que estudavam, sobre o trabalho dela e o que cada um tinha vivido durante o dia. Edu ouvia atentamente, sorrindo, olhando-a nos olhos e incentivando-a a falar mais. Clara se sentia completamente arrebatada e entretida por aquele cara supostamente atencioso e sensível – tão diferente do último que tinha conhecido. Supôs por um momento que ele sentia realmente o que demonstrava.

Em linguagem educada, esse cenário é chamado de um romântico jantar à luz de velas. Mas na realidade trata-se de uma completa fabricação de inverdades dos dois lados para tentar obter vantagens pessoais. Champagne, luz discreta e música suave não faziam parte normalmente do estilo de vida de Edu, o tema usual de sua conversa era futebol. Toda essa montagem era uma trapaça. Edu queria muito aumentar a sua diversificada lista de ficantes. Tinha experiência suficiente para saber que, montado o cenário e preparando o clima do jeito que fizera, a chance de obter de Clara o que queria, era muito maior.

Clara, por sua vez, se enfeitou, se arrumou e se empenhou em estimular aquela relação, porque queria muito dar uma resposta ao antigo namorado que tinha lhe trocado por outra. Porém, ela conhecia o currículo do seu novo pretendente e sabia que ele estava apenas representando, que tinha apenas um sentimento por ela, mas ainda assim o fez acreditar que ela era inocente e de que nada sabia. Edu também não era bobo, lembrava bem de que Clara estava magoada com o antigo relacionamento e que se vingaria de quem lhe entristeceu na primeira oportunidade que lhe aparecesse, a chance era ele.

Pode-se dizer que tudo o que falaram e fizeram naquela noite foi em busca de uma vingança e uma companhia amorosa, ambos pensaram no beneficio pessoal. Mas apesar de se divertirem e curtirem o encontro, a noite toda, em resumo, foi baseada em mentiras e enganos. Foi construída ali uma relação paralela entre ilusor e iludido. Confrontados com essa verdade elementar, ambos negaram. Com palavras distintas, afirmaram que dosadas porções de ilusão interessa a todo mundo.  

Agora eu te pergunto: é válido um amor fugaz? A mentira pode ser licita se tiver um efeito positivo a quem for contada? Toda verdade é uma mentira para quem não acredita nela? Tudo que se acredita, torna-se uma verdade mesmo que seja uma mentira? A sua resposta é a conclusão do meu texto.


 

Um comentário:

Bruna Laranjeira disse...

No primeiro instante se a mentira lhe favorecer não há quem diga que não vai ver com bons olhos. Mas com a experiência que adquirimos ao longo dos anos devemos lembrar que a mentira que um dia é verdade depois voltará a ser mentira, por ser uma ilusão.Portanto, apesar de certas vezes a verdade não te agradar, se te fizer mal será de imediato e você aprenderá conviver com ela,já quando a mentira deixar de ser verdade e voltar a ser ilusão você terá sérios problemas em conviver sem ela.