segunda-feira, 17 de setembro de 2012

CURIOSIDADE INTRIGANTE


No último texto aqui no blog, falei um pouco sobre as constantes mudanças que o homem vive. Não quero parecer incoerente, como quem teme essa mudança, mas me intriga demais a NASA ter enviado uma sonda de 2,5 bilhões de dólares até Marte para, dentre outras coisas, preparar o terreno de futuras missões tripuladas até o planeta vermelho. Me parece inexplicável tamanho investimento e empenho em algo que, aparentemente, pouco pode acrescentar a humanidade. Tão grande foi o oba-oba midiático pelo grande feito que foi colocar a Curiosity (sim, esse é o nome da sonda) em Marte, que não houve reflexão alguma sobre a necessidade de existir essa missão.

Assisti algumas reportagens sobre a Curiosity, e em algumas delas, um dos argumentos citados para justificar a missão, é verificar se há ou se houve água em Marte. Ora, a superfície de nosso planeta não é composta de 70% de água? Não entendo, qual a necessidade de descobrir se Marte tem algo que nós já temos em abundância. Falam também, em verificar se existem condições para o ser humano viver lá. Será que estamos começando a pensar num plano B para quando tivermos esgotado com todos os recursos de nosso planeta?

Por que não há o mesmo empenho em cuidar do nosso planeta? Em proteger a fauna e a flora, criar e democratizar combustíveis sustentáveis, reduzir a poluição, criar meios eficientes de reciclagem e educar desde cedo as pessoas a cuidarem do planeta? A resposta está no interesse. Colocando de lado os argumentos pouco convincentes, certamente alguém lucra ou lucrará com a Curiosity e com o que vier em seguida. Não há o mesmo interesse em cuidar de um planeta consumista, que apesar de esgotar os recursos naturais, gera lucro para muita gente.

Existe um filme de ficção cientifica que certamente seria o fiel retrato do ser humano caso encontrassem algo especial em outro planeta. No filme Avatar, o homem mostra ser capaz de tudo para conseguir o que quer, e de ficção isso não tem nada. Aliás, a ida do homem a Marte - caso os argumentos que considero fracos de fato sejam um pretexto - é quase uma reprise da história da descoberta do novo mundo (continente americano), a diferença é que dessa vez chegamos numa caravela high-tech e não tem nenhum índio ou ET para oferecermos espelhos.

Um comentário:

Bruna Laranjeira disse...

Um questionamento muito viável Lucas. Como gastar bilhões para conhecer outro mundo e não gastar para cuidar do seu?Revoltante.Atitude leviana e que visa realmente o lucro com essa ainda irrelevante busca por novidades sobre Marte.