quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A PRESSA É INIMIGA DA APURAÇÃO


A pessoa entra em seu perfil em uma rede social e na página de atualizações encontra diversos compartilhamentos de pessoas chocadas com uma informação que acabara de ser divulgada. De acordo com os amigos on-line, um bebê havia sido sequestrado por dois homens em uma motocicleta, durante um congestionamento em Salvador, na noite de terça-feira (26).

Publicada inicialmente no Instagram, a notícia correu as demais redes sociais, como Facebook e Twitter, até chegar a um site que abrange notícias de todo o estado da Bahia. O primeiro e, até então, único site a trazer informações sobre o assunto, contava que testemunhas presentes no congestionamento presenciaram a ação dos bandidos que “arrancaram a criança de dentro do carro”, “fugiram com o bebê no braço do carona da moto” e que “a mulher que dizia ser mãe da criança saiu do carro e pediu socorro aos motoristas que transitavam pela via”.

Sites de jornais importantes, como o “Correio”, perderam a chance de divulgar a notícia com rapidez, e, no entanto, puderam divulgar a notícia correta. De fato, dois homens em uma motocicleta haviam retirado a criança de um carro e saído rapidamente. Assim como, a mãe da criança havia pedido socorro aos demais veículos. Entretanto, não se tratava de um sequestro, e sim de um resgate.

A matéria do “Correio” esclareceu a situação ao trazer o depoimento de outra testemunha, que viu quando a mãe do bebê pediu socorro para seu filho que estava passando mal. Como o trânsito estava congestionado, a solução encontrada foi entregar a criança ao motociclista que a levou para um hospital próximo ao local.

Esse caso, que aconteceu na noite de terça (26) e foi esclarecido nesta quarta (27), é um exemplo claro da importância da apuração no jornalismo. Se o “Correio” tivesse publicado a informação sem ter apurado o fato, sem dúvida ela chegaria ao alcance de mais pessoas, que ficariam abismadas com tal situação. Segundo o Aurélio, apurar significa “saber ao certo; averiguar”. E um dos princípios do jornalismo é publicar a realidade vivida pelos cidadãos e deixá-los informados sobre o que acontece na sociedade.

O problema é que, na busca pela notícia inédita, os veículos de comunicação, principalmente sites de notícias, costumam só apurar melhor a matéria após esta ter sido publicada. No intuito de não deixar passar a oportunidade de serem os primeiros a publicarem, os sites acabam divulgando fatos distorcidos, como no caso do resgate do bebê.

O site que foi o primeiro a divulgar, publicou a notícia correta no dia seguinte, mas a informação já tinha sido visualizada e comentada por diversas pessoas. Apenas na página do Facebook do mesmo, 73 pessoas já haviam compartilhado a notícia, acreditando na veracidade dela.

Erros acontecem, mas se a apuração continuar desta forma, com a pressa seguindo em primeiro lugar, à frente da averiguação, a saúde do jornalismo não andará nada bem. O bebê, por sua vez, foi transferido para outro hospital, mas seu estado de saúde e o motivo do atendimento não foram divulgados. Melhor não divulgar do que publicar uma realidade distorcida.


Um comentário:

Bruna Laranjeira disse...

Como reza o ditado, quem tem pressa come cru, então se o jornalismo coloca a exclusividade da notícia na frente da veracidade da mesma,perderá a credibilidade que será adquirida com a rapidez da divulgação do fato.É o que mais se vê atualmente, jornalistas atuando como amadores, assemelhando-se à comuns espectadores e não como profissionais da área.