A
arma é apontada em sua direção. O dedo pressiona o gatilho, ouve-se o som do
disparo, ele sente a bala perfurar seu corpo. Não poderia ter imaginado que
depois de tudo que aconteceu nos seus 43 anos de vida, depois de ter feito a
cobertura de uma guerra, ter sofrido com pneumonia, tuberculose, malária, ele
morreria justamente pelas mãos do amante da sua mulher.
Ocupou
a cadeira de nº 7 da Academia Brasileira de Letras, chegou a atuar na
presidência da academia, mas por curto período; tornou-se sócio correspondente
do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; trabalhou na Superintendência
de Obras Públicas de São Paulo; aposentou-se como tenente do exército; atuou
como jornalista correspondente para o jornal ‘O Estado de S. Paulo’;
imortalizou seu nome com a publicação de um dos clássicos da literatura
brasileira, “Os Sertões”.
Por
ter sido baseado em reportagens, que inicialmente foram publicadas no jornal ‘O
Estado de S. Paulo’, “Os Sertões” é considerado o primeiro indício do
jornalismo literário. Antes mesmo de “A Sangue Frio”, de Truman Capot, que
teria sido publicado anos depois, e marcado o início do New Journalism – chamado de Jornalismo Literário no Brasil, por
misturar técnicas jornalísticas com elementos literários.
Ao
atirar em Euclydes, Dilermando tirou a vida não só do pai que criou o seu
filho, Luís Ribeiro. Naquele dia, 15 de
agosto de 1909, o cadete do Exército silenciou o engenheiro, o poeta, o
repórter, o escritor, o pai do jornalismo literário no Brasil.


Um comentário:
Os tolos sempre querem calar as vozes dos gênios...Triste fim de Euclides, Lorena.
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