quarta-feira, 10 de abril de 2013

ALEGRIA DE UMA FOCA


Já passou das 21h e ela ainda se encontra no trabalho. Sentada de frente para o computador e aguardando o chefe fechar o jornal para que possa ir para casa, ela começa a lembrar de seus primeiros dias de “foca”.

Da produção de um currículo cheio expectativas e poucas experiências, até a primeira entrevista bem sucedida, alguns veículos de comunicação já haviam recusado seus serviços. Mas no primeiro dia do primeiro estágio, a força de vontade e o interesse em aprender, superaram a inexperiência de quem só tinha feito reportagens para a faculdade.

Os olhos brilhando com a pauta que acaba de surgir, o medo de telefonar para delegacias, hospitais, assessorias de comunicação e outros bichos de sete cabeças. A superação da vergonha em abordar as pessoas na rua para fazer perguntas escritas num bloquinho de anotações recém-comprado.

A pressa em escrever com a caneta Compactor tudo aquilo que é dito pela fonte. As mãos que ainda não conseguem acompanhar a rapidez das palavras ditas e o olhar que se divide entre uma pessoa desconhecida e o bloquinho cheio garranchos.

A empolgação em escrever as reportagens, de colocar em prática toda aquela teoria aprendida na faculdade. O que? Quem? Quando? Onde? Por quê? Como? A construção do lead com as informações principais. A tristeza em cortar, cortar, cortar tudo aquilo que foi apurado, para poder exercitar o poder de síntese, algo nunca foi o seu forte.

O desespero no fechamento da primeira edição do jornal. A alegria de ver a edição fresquinha. O sorriso ao apontar seu nome assinando a reportagem. O desapontamento em observar os erros cometidos. A esperança de cometer menos erros e mais acertos da próxima vez.

Olha para o relógio. Já são mais de 22h. O chefe ainda não fechou a edição. Ela se mantém disponível para ainda escrever textos, corrigir erros, escolher fotos. No meio jornalístico “foca” é o nome utilizado para se referir ao estagiário, ou aquele jornalista recém-formado, que escorrega de vez em quando, devido à falta de experiência. Apesar de ainda ser estagiária, sente que tem se afastado cada vez mais da condição de “foca” à medida que vai ganhando conhecimentos na área e desenvolvendo sua futura profissão.

Mas, no dia seguinte, ao sujar suas mãos com a tinta do jornal que acaba de chegar da gráfica, ela ainda vai olhar para o seu nome impresso ao lado das matérias que produziu. Os olhos vão brilhar. E ela vai ter aquele orgulho típico de uma “foca” que observa a primeira reportagem publicada.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

UM DOMINGO DE FONTE NOVA APÓS 1960 DIAS



Começa uma nova história: A frase colocada perto da ferradura da Arena resume a importância daquela tarde histórica, que será lembrada daqui a muitos anos. E justamente por recordarmos nossa história, lembrando dos momentos que vivemos no antigo estádio, que desde cedo o clima era diferente. Ainda dentro de casa já era possível ouvir o burburinho na rua. O assunto era a volta do ambiente onde muitos aprenderam a gostar de futebol, o clássico Ba-Vi ficou em segundo plano.

A cerimônia pré-jogo durou cerca de 30 minutos,
e terminou cinquenta minutos antes do jogo.
Foto: Lucas Coutinho.
Faltando três horas para o início da partida, o bairro de Brotas já vivia um engarrafamento em pleno domingo, algo visto apenas em dia de eleição. Assim como eu, dezenas de pessoas preferiram ir andando até a Fonte Nova. O estádio vai se aproximando, as janelas das casas exibem as bandeiras, que também aparecem nos carros junto com hinos e buzinaço. Ao redor do estádio, apesar de toda movimentação, o clima é tranquilo. Os torcedores se dirigiram aos seus portões e circularam com facilidade até as cadeiras, quando a beleza da Arena surpreendeu até mesmo quem quase diariamente olhava fotos da construção na internet. A festa estava começando!

Desde o Dique já era possível ouvir ambas as torcidas cantando, mas lá dentro a acústica favorecia tanto que era quase ensurdecedora. E junto ao grito da torcida, iniciou-se a festa de abertura apresentada pelo ator Fábio Lago, e não faltaram coreografias de dança e lembranças sobre nossa cultura. A mistura de música da apresentação e cantos da torcida só parou mesmo para os aplausos, quando foram falados os nomes dos sete torcedores vítimas do acidente da última partida do antigo estádio. A atenção também se voltou para um garoto de 13 anos: Arthur Nascimento, que possui paralisia cerebral e passou grande parte de sua infância sem sequer conseguir sentar, após tratamento iniciado em 2010 foi capaz de, apenas com a ajuda de muletas, dar o pontapé inicial da nova arena.

No espetáculo também não faltou música, apesar desta ter sido ofuscada por um sistema de som que ainda não está afinado. O som começou com Margareth Menezes, mas quem roubou a cena, como já era esperado, foram Ivete Sangalo e Claudia Leitte, que cantou em vermelho, azul e branco ao lado de Dan Miranda e Márcia Short, e se aproximou da Torcida Bamor após sua apresentação. Ivete entrou sob lamentáveis vaias vindas da torcida tricolor, mas com um bom jogo de cintura fez sua apresentação ao lado de atletas que marcaram a história da Fonte. Já com os dois times em campo, os hinos da Bahia e do Brasil ficaram por conta do Olodum.

O JOGO

Times fazem a última conversa antes da partida
Foto: Lucas Coutinho
Nos primeiros minutos o Bahia chegou com muito mais perigo ao gol rubro-negro, sendo a grande chance de gol um chute de Adriano Michael Jackson aos quatro minutos, que certamente seria gol, não fosse a grande defesa de Deola. Começando a se encontrar, com muito mais volume de jogo, aparecerem as chances do Vitória, que eram perdidas em más finalizações. O jogo também começava a ficar pegado, motivando os cartões de Escudero, do lado do Vitória, além de Adriano e Fahel do lado tricolor.

Quando a monotonia tomava conta do meio do primeiro tempo, de poucas chances para o Bahia, más finalizações do Vitória e jogo preso no meio de campo, um pênalti! Neto derrubou Mansur na grande área. Com bola de um lado e Marcelo Lomba de outro, Renato Cajá fez história, marcando o primeiro gol da Arena.

Imagem frisada mostra que enquanto Renato Cajá
chegava com o pé de apoio, antes de chutar a bola,
o goleiro do Bahia, Marcelo Lomba, já pulava
mostrando para qual lado iria.
Reprodução TV Bahia
Os primeiros minutos do segundo tempo foram equilibrados, até o argentino Max Bianchucchi ampliar para o Vitória num golaço de cobertura. A reação tricolor foi ágil, e um minuto depois Obina marcava um gol que foi corretamente anulado pela arbitragem, pois por poucos centímetros ele estava impedido. Com a anulação do gol que incendiaria o jogo, o Vitória passou a dominar a partida. Quando a posse da bola chegava ao Bahia, o time era pouco eficiente, não sabia avançar, passar para lateral, cruzar na área ou arriscar de longe. A bola era presa como se o time vencesse o jogo, e quando a bola era perdida surgiam boas oportunidades para o rubro-negro.

E numa delas veio uma tabelinha avassaladora, que resultou no terceiro do Vitória, marcado por Michel, aos doze do segundo tempo, e já naquela altura o jogo estava claramente perdido do lado tricolor. A esperança de alguns torcedores voltou aos 21, quando Zé Roberto, após receber passe de Magal pela esquerda, só teve o trabalho de tocar para a rede, fazendo o primeiro gol do Bahia na Arena Fonte Nova.

O Bahia tornou-se então franco atirador. Avançou na esperança de buscar um empate, deixando a defesa desprotegida, porém continuou faltando eficiência. E com a bola ganha em seu campo de defesa, o Vitória avançou, enquanto Titi solitário recuava, quando podia ter ido marcar ou fazer uma falta no meio campo. Sem perdoar, o Leão avançou com Vander, que tabelou com Marquinhos e fez o quarto gol do Vitória sobre seu ex-clube, que o dispensou após alegar “deficiência técnica”.

A partir de então a pane tricolor foi definitiva, o Vitória passou a mandar de vez no jogo, até Escudero aproveitar novo vacilo da defesa do Bahia, e aos 39 sacramentar o resultado final de 5 a 1. O Resultado do jogo foi decisivo para a saída do treinador Jorginho, que já enfrentava uma crise interna, e saiu após sete meses no clube. O Bahia permaneceu na liderança do Grupo A do Baianão com 05 pontos, enquanto o Vitória lidera o Grupo B com 12.

Enquanto lá fora havia um belo pôr do sol,
na arquibancada a torcida do Vitória
comemorava.
Foto: Lucas Coutinho
O grande mérito do Vitória foi reconhecer e abusar de históricos problemas de seu rival, a inexistente armação de jogadas no meio de campo - evidente desde a saída de Gabriel - que deixou o tricolor encurralado e constantemente perdendo a posse da bola, e a defesa falha, com Titi sem sua principal característica, avançar para recuperar a bola, e Danny Morais, que há anos é criticado pela torcida, desde a saída de Paulo Miranda, mas que nunca teve um bom substituto.

O Rubro Negro fez a festa na Fonte Nova, foi superior e escreveu a história, num jogo que eu particularmente considero mais importante que o próprio Campeonato Baiano 2013. O Bahia parece reviver o período da antiga Fonte, de má administração e de retrocessos, como a volta de Joel Santana. Porém vale lembrar, sua popular torcida, que manteve o Bahia vivo quando ele foi ao fundo do poço, não terá a mesma presença de antigamente, em virtude da expressiva diferença no preço dos ingressos.

A Fonte Nova voltou, está linda e será abraçada pelo povo, seja com futebol ou com outros grandes eventos. O rubro negro saiu na frente do tricolor, que terá de fazer por merecer jogar ali. Que venham os próximos capítulos dessa nova história!


sexta-feira, 5 de abril de 2013

VELHAS NOVAS HISTÓRIAS


Em primeiro lugar, queria dizer meu primeiro olá aqui no Opinião em 2013: Olá! :D (rsrs). Bom, hoje estou retomando meus trabalhos nas sextas aqui do blog. Segundo meu colega Vinícius, aquele mesmo espertinho e “gaiato” que escreve nas quintas do Opinião, estou recuperada de contusão e pronta pra jogo, renovei o “contrato” (risos). E como falar de jogo, mais precisamente falar de esporte, é a minha praia, nada melhor que retornar em uma sexta às vésperas da reinauguração da nova Arena Fonte Nova.

Hoje aqui farei um post bem pessoal mesmo. Então já que é assim, peço a sua licença. Por que falo isso? Quem me conhece sabe que amo o mundo esportivo, algumas poucas pessoas sabem que foi esse mundo que me levou a conhecer um grande amor, o jornalismo, e quase ninguém pode imaginar a dimensão que a antiga Fonte Nova tem nisso tudo.

A Fonte Nova, que agora vamos chamar de velha, aquela de 2007 para trás, fez com que eu conhecesse e pudesse ter momentos inesquecíveis. Vivi coisas naquele espaço que jamais poderia imaginar a dimensão que tudo aquilo tomaria na minha vida. Não falo de vivências materiais, mas sim de sentimentos que me fortaleceram e me fizeram ter a certeza do que eu queria ser na vida: JORNALISTA DE ESPORTES.

Ir aos jogos que aconteciam na Fonte despertaram em mim a magia do esporte. Nossa, como ele, o esporte, envolve, cativa e transforma as pessoas. Sem falar na energia daquele lugar. Era só pisar naquele estádio que meu astral mudava. Percebi que não tinha jeito, minha ligação com aquele terreno esportivo das áreas próximas ao Dique do Tororó e abençoada pelos orixás, ficariam enraizadas em mim para sempre.

Não sei explicar, só sei que aconteceu. Foi amor à primeira vista, ou melhor, a primeiro jogo. Quanta saudade eu senti de ti. Quantas vezes caminhei e caminhei só pra poder te encontrar – e olha que era uma paletada do bairro do Canela até lá. Mas nunca medi esforços, quando a gente gosta de algo não há quem impeça, nem mesmo o preconceito de que mulher não frequenta estádio que barre nossas atitudes.

Na Fonte já sorri, chorei, gritei, balancei camisa, estendi bandeira, comemorei gols, sofri com derrotas, mas acima de tudo, celebrei conquistas. Vendo aquele gramado e torcidas fervorosas naquela arquibancada que não cabiam todos que desejariam estar ali, aprendi a torcer e respeitar quem não torce junto comigo.

Domingo, dia 07 de abril de 2013, um novo ciclo desse amor tomará partida. As estrelas desse dia não são a dupla BaVi, a nova Arena sim, é a digna de todos os fleches e celebrações. Ela está voltando. Um retorno que traz de novo aos baianos a alegria de partilhar de um templo que já nos contou muitas histórias, e fez história e vem para contar e fazer mais. Um lugar que sem pretensão conquistou milhares de corações, como o meu.

Apenas me despeço desse breve deleito de amor pela NOVA Arena Fonte Nova com um pedido. Vamos cuidar desse patrimônio NOSSO que está retornando.O CUIDADO é a base para que a relação seja bela, o convívio prazeroso e O AMOR ETERNO. NOVA ARENA FONTE NOVA: VIVA, AME, CUIDE!!!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

SEJA SOLIDÁRIO E NÃO UM PARASITA


Era uma vez (confesso que amo esse trecho, acho tão inspirador, mas segue a história). Era uma vez, uma onça pintada que vivia em uma floresta. Um dia, um caçador a encontrou e percebeu que ela não tinha as patas da frente, ele pensou que talvez a onça as tivesse perdido, ao escapar de alguma armadilha ou do ataque de um predador.

Intrigado com o que tinha visto, o caçador ficou tentando imaginar como aquela onça conseguia sobreviver em condições tão desfavoráveis, já que não podia fugir dos predadores e muito menos buscar o seu alimento. O poder de caça das onças está nas patas, que lhe proporcionam uma força extraordinária. Curioso, ele decidiu ficar observando o animal.

A onça vivia sempre muito bem escondida perto de um rio e, vez ou outra, surgia um daqueles jacarés assustadores que despedaçava suas presas até a morte, jogando para tudo que é lado os restos da caça. Na espreita, quando o jacaré se afastava, voltando para dentro do rio, a onça saia do seu esconderijo para se alimentar do que o jacaré tinha espalhado. Por diversas vezes, de forma generosa e involuntária, o jacaré ofereceu parte da sua refeição para a onça.

Voltando para casa, o caçador parou e pensou: “Se essa onça está sendo alimentada sem fazer por merecer, por alguma força superior incontestável, por que é que eu tenho que batalhar tanto pelo meu alimento, se já trabalhei tanto nessa vida? Por que não posso ficar em casa descansando, também esperando para ser alimentado, tenho muito mais mérito que essa onça.” A partir daquele dia, o caçador decidiu que não iria mais trabalhar, decidiu que ficaria em casa esperando que as suas fontes de alimentação fossem trazidas por seus filhos.

Os dias foram se passando e nada de ninguém trazer a comida. O homem insistiu na sua ignorância, até que já estivesse só pele e osso. Perdeu sua casa, seu dinheiro e tudo mais... Perto de perder a consciência pela falta de alimento, ele ouviu uma voz - aquelas com um tom de grave acentuado – que lhe dizia: “Pobre homem. Por que insiste em não enxergar a verdade? Você não percebe que deveria ter seguido o exemplo de generosidade do jacaré, em vez de se identificar com a onça dependente? Como pode ser tão tolo?”

Arrumando o meu baú encontrei um antigo livro de histórias sufi, que enquanto criança, minha mãe me contava antes de dormir. Essa que acabei de contar era uma das que eu mais gostava de ouvir. Esse tipo de história demonstra a importância de compartilhar o conhecimento, é uma maneira de buscar o comprometimento de todos os envolvidos para a necessidade e a importância de cada ação vivida. Prevalece o fundamento de que Deus é diferente de tudo do que as convenções pregam e do que é tradicionalmente aceito.

Lamentavelmente, quando ouve falar sobre qualquer gesto de solidariedade, o ser humano, de forma habitual, se assemelha com a pessoa que recebeu o gesto e passa a viver como um parasita no hospedeiro, quando na verdade deveriam compreender que abrir o coração para cuidar do próximo é o melhor atalho na busca em se tornar uma pessoa melhor. Esse é o conceito fundamental dessa história sufi, mostrar que quem vive aguardando pela voluntariedade divina, sem em nada cooperar, perde a qualidade de vida.

Lembre-se que sentar e esperar não leva ninguém a lugar algum. Ser solidário é bem melhor, esse é um compromisso pelo qual as pessoas deveriam se obrigar umas pelas outras, já que a solidariedade é o melhor remédio contra a solidão. O sucesso da vida vem da intensidade em se pré-dispor a ajudar as pessoas, e não em se tornar parte dos problemas delas. Pense nisso. 


quarta-feira, 3 de abril de 2013

MAIS DESCONTROLE, MENOS VIDAS


Basta sair na rua, seja de moto, de carro, de bicicleta, a pé ou de ônibus, para ver o caos no trânsito. Além dos problemas estruturais e da grande quantidade de veículos nas ruas, que geram intensos engarrafamentos, a falta de educação, muitas vezes justificada pelo estresse, tem sido um dos principais problemas enfrentados.

Na última terça-feira (2), mais um caso relacionado à falta de educação no trânsito chocou a sociedade brasileira. Sete pessoas morreram após um ônibus cair de um viaduto no Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, momentos antes do acidente, um passageiro teria discutido e agredido o motorista, que perdeu o controle do veículo e acabou despencando do viaduto.

Inicialmente observa-se a falta de educação do condutor do ônibus. De acordo com pessoas que presenciaram o acidente, ele dirigia em alta velocidade, não teria parado em pontos pedidos pelos passageiros e teria agredido verbalmente um dos passageiros. Sem falar que o ônibus que ele dirigia estava com o licenciamento de vistoria do Detran vencido e acumulava 46 multas, incluindo 12 por avanço de sinal e outras 14 por excesso de velocidade.

Depois do motorista não parar por tempo suficiente em um ponto, um passageiro teria se exaltado, pulado a catraca, discutido com o condutor e em seguida lhe dado socos e um chute. O histórico desse passageiro também não era nada bom. De acordo com a polícia, o estudante de engenharia, de apenas 25 anos, é acusado de lesão corporal em outras duas ocasiões.

Sergio Moraes / Reuters
Vários fatores tiveram influência na tragédia, mas o comportamento desses dois protagonistas foi o maior culpado. O delegado que cuida do caso, já pediu a prisão preventiva de motorista e passageiro, que devem responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Quantas vezes já nos deparamos com motoristas estressados ou com passageiros grosseiros que discutem com os condutores ou cobradores dos ônibus? Quantos de nós já não fomos essas pessoas que, atrasadas para o trabalho ou ansiosas por chegar em casa, brigamos no trânsito? Quantas, nesse momento de estresse, lembram que suas atitudes podem prejudicar a vida das outras pessoas?

O que falta para reduzir a agressividade e a falta de educação é aprender a viver em sociedade. Quando o indivíduo se coloca no lugar do outro, ele reduz as chances de tomar uma atitude que venha a prejudicar não só o próximo, como ele próprio.

Se o motorista tivesse respeitado o pedido do passageiro e parado no ponto, se o estudante tivesse pensado nos outros passageiros e não tivesse agredido o condutor, sete famílias não estariam chorando a perda de entes queridos. E outras dez não estariam dentro de hospitais, aguardando uma boa notícia, enquanto seus parentes se recuperam de seus ferimentos. Quatro delas permanecem em estado grave. E se o comportamento no trânsito não for tratado com a gravidade que ele merece, os números só tendem a aumentar.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

DIA DA MENTIRA: PASSADO, PRESENTE E FUTURO!


Histórias da carochinha ou de pescador. Pode ser um exagero, enrolação ou forma de encobrir um erro. Têm aqueles que afirmam estarem apenas omitindo e também os falastrões, que transformam uma realidade em exagero. Alguns tentam amenizar, dizendo “isso é uma inverdade!”, e outros que fazem com más intenções, quando fingem ser alguém. Na verdade, é tudo mentira!

E por serem tantos tipos, o 1º de abril não deveria ser o dia das mentiras, no plural? O que é fato é que essa data surgiu no século XVI, na França, quando foi adotado o calendário gregoriano, que estabeleceu que o primeiro dia do ano fosse o 1º de Janeiro. Até então se comemorava o ano novo junto com a chegada da primavera, entre 25 de Março e 1º de Abril.  Muitas pessoas acabaram sendo conservadoras com relação à nova data, e como brincadeira, as pessoas que aceitaram a nova data enviavam presentes de mentira, criando-se assim a tradição do dia da mentira.

A "nova ferramenta" faz buscas de aromas pela web,
possibilitando ao internauta resgatar cheiros
que ele não sente a muito tempo.
Hoje a data é um festejo mundial. Nesse ano várias brincadeiras surgiram, como o Google Maps que ajuda com na busca pelo baú com o tesouro e também o Google Noise, um recurso falso que prometia uma pesquisa de cheiros. A Nokia, empresa que sempre trabalhou com celulares, também lançou um falso aparelho de microondas. E o Opinião Pro Mundo também entrou na brincadeira:

Senhoras e senhores, sejam bem vindos ao Opinião Pro Mundo do ano de 2018, um período em que o Brasil vive com uma autoestima elevada e que coisas que hoje parecem impossíveis, aconteceram! Brincadeira a parte, o nosso desejo é que esse futuro de fato aconteça em algum tempo.




quinta-feira, 28 de março de 2013

SALVADOR MEU AMOR ETERNO


Banhada pela Baía de Todos os Santos e uma homenagem ao Cristo Jesus, com águas mansas e o céu tingido por um azul luminoso, rica em artesanato, história e com vestígios que indicam a existência de populações pré-coloniais, coloniais e pós-coloniais. Miscigenação cultural e sincretismo religioso singular, patrimônio histórico e cultural da humanidade e ao mesmo tempo roteiro turístico particular dos seus habitantes, essa é a nossa Salvador, primeira capital do Brasil, que amanhã, 29 de março de 2013, completa 464 anos de fundação.

Apesar da manifestação de louvor à Salvador, é fundamental lembrar que vivemos em uma realidade onde são muitos os problemas enfrentados por quem mora aqui. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já somos mais de 2,7 milhões e a nossa capital apresenta problemas típicos de qualquer metrópole, com crescimento desordenado e ocupação urbana deficiente. Entre as questões, engarrafamentos cada vez mais constantes, ocupação de encostas, deslizamento de terra, favelização descontrolada e uma imperfeita distribuição de renda. Mas o pior de tudo é perceber a frustração compartilhada em cada olhar ou em cada coração, ruindo nossas expectativas e o princípio comum de que o passado e o presente são as chaves da ratificação do futuro.
Deixando um pouco de lado a tristeza causada pelos problemas, amanhã é dia de celebração, dia de lembrar que moramos em um cidade especial. Lembrar que apesar das adversidades, a aniversariante é multicolorida, ao mesmo tempo que é rubro-negra, também é tricolor. É conservadora, até os dias de hoje a estrutura física urbana original é do século XVI, a configuração urbana atual é a mesma que se vê na cartografia do fim do século XVII e começo do XVIII. É tropical, com a maior área litoral do país.
Outro adjetivo que caracteriza bem o sentimento por Salvador é a singularidade, vocês conhecem alguma outra cidade de dois andares? Sem contar o grande número de sobrados seculares. Aqui é também a capital da alegria, com a maior festa popular do mundo. É saborosa com os seus quitutes, acarajé, abará, moquecas, bolinho de estudante e o bom e velho picolé da Capelinha. Com tantos jardins – Alá, Apipema, Armação, Brasil, Brasília, Lobato, das Margaridas, Santo Inácio e Nova Esperança - a cidade é verdadeiramente a extensão das nossas casas.


Tudo em Salvador é especial e diferente. Aqui não existe sinais de trânsito, existem “sinaleiras”. Que pelada nada, domingo de manhã é dia do “baba”. E se no “baba” o cara faz muitos gols, ele é “brocador”. Frescura é “chibiatagem”, bagunça é “mulequeira”, as coisas não são legais, são “massa”. E se em outros lugares os amigos se reúnem para confraternizar e encher a cara, o soteropolitano “come água”. No café da manhã não pode faltar o “pão de sal”, e se não conhece a pessoa do lado, então o nome é “coisinha” mesmo. Um soteropolitano não é talentoso, ele é “miserê”. O show pode ser de axé, pagode, rock, samba, arrocha, não importa, no final todo mundo diz que vai para o reggae.


Agradeço a Deus por ter nascido em Salvador, trajeto de todo o meu passado e esboço de um futuro irrigado por encantos e magias, onde a natureza e a alegria reinam. Meu cantinho de comer, de chover e de viver. Encho o peito de orgulho e digo que essa cidade é linda demais. Em qualquer lugar do mundo que eu esteja, sempre voltarei para buscar a minha verdadeira paz. Salvador, seja feliz pelo seu aniversário. Parabéns!

segunda-feira, 25 de março de 2013

PERDEMOS AO ASSISTIR SÓ ESPORTES ONDE VENCEMOS


Sabe quando crianças estão jogando alguma coisa, e uma começa a perder com frequência e ao invés de tentar aprender, logo desiste? Esse é o comportamento do brasileiro quando falamos de acompanhar esporte. Encontrar quem curte e assiste um esporte por verdadeiro prazer, independente do sucesso de brasileiros, está ficando raro. Esse abandono do público resulta dentre outras coisas na queda da formação de novos atletas, falta de patrocínio, sem falar da decadência contínua enfrentada por alguns esportes. Das quadras, pistas, ringues e piscinas, podemos tirar algumas lições de como os resultados influem em nossa forma de acompanhar o esporte.

TÊNIS E AUTOMOBILISMO EM QUEDA

Guga ao vencer Roland Garros pela 3ª vez / Getty Images


O tênis há pouco mais de dez anos era febre, com o sucesso de Fernando Meligeni e principalmente de Gustavo Kuerten, que foi tricampeão de Roland Garros e número 1 do mundo. Porém, com o fim de suas carreiras e a falta de um nome que ocupasse esse espaço vazio, boa parte do público deixou o esporte de lado. Isto restringiu o tênis à programação da TV paga, sendo visto apenas por um público que realmente curte o esporte, dificultando que outras pessoas conheçam e passem a gostar. 

Com isso, a motivação de quem poderia ter sido um novo grande talento, ficou num futuro que não veio. No ranking mundial de jogadores da ATP (Associação de Tênis Profissional), o melhor brasileiro é Thomaz Bellucci, que ocupa apenas a 40ª posição. No ranking feminino o desempenho é ainda mais preocupante com a 118ª posição para Teliana Pereira, a brasileira melhor colocada.

Quem também está indo nesse caminho é a Fórmula 1, que apesar de modernizar-se e ficar mais emocionante a cada ano, está perdendo espaço no país, já que desde Senna em 1991 um título mundial da categoria não vem para o Brasil. Na última corrida, disputada na Malásia nesse domingo, 24 de Março, Felipe Massa largou em 2º e acabou terminando em 5º. Então pergunto, se ele ganha? Acredito que seria um alvoroço o domingo inteiro na TV, redes sociais e capas de jornal no dia seguinte. Ele sequer foi ao pódio, mas a corrida foi boa, valeu a pena acordar 4h45 da madrugada de um domingo para ver a disputa entre Sebastian Vettel e Mark Webber, sendo ambos da mesma equipe, inclusive para repensar, porque os brasileiros não têm a mesma coragem.

Apesar da Stock Car e de outras categorias que contam com brasileiros, o desgaste que o Brasil foi tendo na Fórmula 1, somada a administrações ruins, resultam num cenário grave no automobilismo brasileiro, como falou o bicampeão mundial Nelson Piquet, em entrevista recente ao SporTV: “Não há automobilismo no Brasil. Há muita desorganização. Ninguém se mostrou capaz, no cenário atual, e estamos piorando cada vez mais. Daqui a alguns anos, não haverá um representante brasileiro competindo na Europa em categorias que podem levar à F-1”.

O RENASCER DO BASQUETE E O SUCESSO CHAMADO VÔLEI

A geração de Oscar, Paula, Hortência e Janeth foi brilhante. O basquete masculino ganhou os Jogos Pan-americanos de 1987 dentro dos EUA e o feminino venceu Cuba nos jogos de sua capital, Havana, em 1991. Somado a isso, a prata e o bronze nos Jogos Olímpicos de 1996 e 2000, respectivamente.  Mas depois disso veio um geração perdida.

Momento épico em que Hortância e Paula recebiam
o ouro panamericano das mão de Fidel Castro /
Foto de autoria desconhecida
O feminino ainda busca se reencontrar, sob o comando de Hortência, atual dirigente da Seleção Feminina. O masculino começa a se reerguer, graças aos bons jogadores da NBA e com a criação do NBB (Novo Basquete Brasil) um liga nacional que vem ganhando cada vez mais prestígio. Nos últimos Jogos Olímpicos, de Londres 2012, o Brasil foi eliminado nas quartas de finais, após um jogo duríssimo contra a Argentina, que venceu com apenas cinco pontos de vantagem.

Já com o vôlei o caminho foi inverso, ele foi gradualmente ascendendo, até ser, acredito eu, o segundo principal esporte do país. O esporte foi ganhando espaço no final da década de 80 e se mostrou de fato no último dia das Olimpíadas de Barcelona em 1992 – curiosamente no dia em que eu nasci – quando a seleção masculina conseguiu a primeira medalha de ouro do país em esporte coletivo. Mais que isso, o vôlei conquistou a simpatia do país. Daí foi só crescimento, sendo hoje uma seleção com dois ouros e três pratas olímpicas, três títulos mundiais e nove da liga mundial.

Assim como no masculino, o reconhecimento ao vôlei feminino do Brasil só veio depois de um título olímpico, em 2008. No começo dos anos 2000, quando a seleção masculina não parava de vencer, no lugar do apoio, a seleção feminina recebia uma chuva críticas, num imediatismo que visivelmente afetava o emocional da seleção. Com os dois títulos olímpicos consecutivos, hoje as criticas começam a se voltar para a seleção masculina, que vive uma dura transição, com a saída de uma geração de ouro. 

Apesar de tudo, o apoio iniciado em 1992 faz com que hoje o Brasil tenha ligas fortes, no masculino e no feminino, com o surgimento da Superliga que hoje é um sucesso com transmissão em horário nobre na TV paga, e transmissão em TV aberta durante a fase final.

A QUEDA DO BOXE E A ASCENSÃO DO MMA

Após o crescimento do UFC com a presença de brasileiros,
cenas como os títulos de Popó voltarão a ser vistas
por aqui? / Foto de autoria desconhecida
Se tem uma modalidade que já fez sucesso sem depender da presença brasileira é o boxe, que nos anos 90 criava um alvoroço em noites com Holyfield ou Mike Tyson. Naquele tempo o grande nome do país era Maguila, que tempos depois perderia sua soberania no país para Popó, que chegou a ser tetracampeão mundial. Sua pausa abriu espaço para o MMA, que deixou de ser o antigo vale tudo, passando a ter regras que preservasse um pouco mais da integridade física do atleta. O crescente sucesso de atletas como Anderson Silva, Vitor Belfort e os irmãos Minotauro e Minotouro impulsionaram o torneio UFC no país, tornando-lhe uma febre que chegou à TV aberta, ocupando o espaço que um dia foi do boxe, as madrugadas de sábado para domingo. 

Esse é um grande exemplo de como a presença brasileira influencia. Caso um brasileiro emplacasse no boxe logo após a pausa de Popó, será que o MMA cresceria tanto? Apesar de essas duas modalidades terem muitos admiradores em todo país, o fator decisivo para a valorização deles é o público que aprecia só se tiver Brasil.


NINGUÉM É OBRIGADO...

... a apreciar e assistir todos os esportes, mas se temos aqueles em que há uma afinidade, precisamos entender que esporte é lazer, portanto, não precisa haver imediatismo e críticas exageradas. Por mais chato que seja não estar por cima às vezes, criticar demais prejudica mais que ajuda.

Phelps, "apenas" com as 8 medalhas de Pequim 2008.
Ele levou 20 em 3 olimpíadas,  se tornando o maior vencedor
 da história do jogos / Foto de autoria desconhecida
Vale também não abandonar uma modalidade que você gosta de ver, porque seu país não tem um atleta de ponta naquilo. Isso faz com que assistir alguns esportes tenha se restringido aos Jogos Olímpicos a cada quatro anos. O maior nadador da história, Michael Phelps, se aposentou no ano passado, e só pudemos assistir ele três vezes: Olimpíadas de 2004, 2008 e 2012. Quantos talentos brasileiros não poderiam ter surgido, se fossemos maduros o suficiente para ver e aprender com o sucesso de um grande atleta dos EUA? 

Parece inacreditável não se falar nada por aqui sobre atletismo, o mais antigo conjunto de atividades esportivas da humanidade. Ridiculamente nos damos o direito de criticarmos atletas como Fabiana Murer, do salto com vara, e Maurren Maggi, que nem com o ouro de 2008 conseguiu impulsionar o salto em distância, que outrora já brilhou com João do Pulo. Somos um país que se surpreendeu nos Jogos de Londres com Yane Marques, não com seu bronze, mas por saber que existe um esporte chamado Pentatlo Moderno.

Somos o país das próximas olimpíadas, mas não faço ideia de quando seremos um país olímpico.