quarta-feira, 20 de março de 2013

PAI DO JORNALISMO LITERÁRIO NO BRASIL


A arma é apontada em sua direção. O dedo pressiona o gatilho, ouve-se o som do disparo, ele sente a bala perfurar seu corpo. Não poderia ter imaginado que depois de tudo que aconteceu nos seus 43 anos de vida, depois de ter feito a cobertura de uma guerra, ter sofrido com pneumonia, tuberculose, malária, ele morreria justamente pelas mãos do amante da sua mulher.

Ocupou a cadeira de nº 7 da Academia Brasileira de Letras, chegou a atuar na presidência da academia, mas por curto período; tornou-se sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; trabalhou na Superintendência de Obras Públicas de São Paulo; aposentou-se como tenente do exército; atuou como jornalista correspondente para o jornal ‘O Estado de S. Paulo’; imortalizou seu nome com a publicação de um dos clássicos da literatura brasileira, “Os Sertões”.

Publicado em dez idiomas, seu livro narra a Guerra de Canudos, que aconteceu em 1897 no interior da Bahia e foi o primeiro acontecimento histórico brasileiro a ter cobertura diária da imprensa. Em “Os Sertões” ele destaca a psicologia do sertanejo e seus costumes, com riqueza de detalhes. Depois da experiência no sertão baiano, ele apresenta projetos que incentivam a criação de açudes para resolver o problema das secas no Nordeste. Enquanto ainda era vivo, seu livro chegou a ter três reedições.

Por ter sido baseado em reportagens, que inicialmente foram publicadas no jornal ‘O Estado de S. Paulo’, “Os Sertões” é considerado o primeiro indício do jornalismo literário. Antes mesmo de “A Sangue Frio”, de Truman Capot, que teria sido publicado anos depois, e marcado o início do New Journalism – chamado de Jornalismo Literário no Brasil, por misturar técnicas jornalísticas com elementos literários.

Euclydes da Cunha nasceu no Rio de Janeiro em 1866. Casou-se com Ana Emilia Ribeiro aos 24 anos de idade, pouco antes de se formar no curso de Engenharia Militar. Durante o casamento, Ana deu à luz seis crianças, sendo que duas delas não haviam sido geradas com seu marido e sim com o cadete Dilermando de Assis, seu amante.

Ao atirar em Euclydes, Dilermando tirou a vida não só do pai que criou o seu filho, Luís Ribeiro.  Naquele dia, 15 de agosto de 1909, o cadete do Exército silenciou o engenheiro, o poeta, o repórter, o escritor, o pai do jornalismo literário no Brasil.


Um comentário:

Bruna Laranjeira disse...

Os tolos sempre querem calar as vozes dos gênios...Triste fim de Euclides, Lorena.