segunda-feira, 13 de maio de 2013

PASSOS HISTÓRICOS DE ALEX FERGUSON


Um senhor escocês, de 72 anos, caminha pela 1499ª vez em direção ao seu local de trabalho dos últimos 27 anos. Essa aparente rotina quebra-se quando informo que este senhor é treinador de um dos principais clubes do mundo, e que pela última vez se dirigia ao banco de reservas onde marcou épocas (no plural mesmo). A tradicional caminhada mascando chiclete, nesse domingo, 12 de maio, eram os passos históricos da despedida de Alex Ferguson do Estádio do Manchester United. Antes de qualquer outra palavra, veja a cena, em imagens de ESPN.COM.BR



O Manchester United venceu o jogo por 2 a 1. Agora só resta uma partida para Alex dar um adeus definitivo, o último jogo do campeonato inglês, que coincidiu com a apresentação número 1500 de Ferguson à frente do clube. Curioso porém, é que essa história de sucesso demorou para começar. Nos seis primeiros anos como treinador, ele venceu apenas as desvalorizadas Copa da Liga Inglesa e Copa UEFA(atual Liga Europa). Em 1992 essa história começava a mudar, com o primeiro dos treze títulos conquistados por ele no campeonato inglês. Hoje, os resultados comprovam que o Manchester acertou em acreditar.


Em 1999, ano em que o Manchester United ganhou até titulo mundial, o treinador recebeu da Rainha Elizabeth II o título de “Sir”, dado a quem presta grandes serviços ao Reino Unido, assim passando a chamar-se Sir Alex Ferguson. No meio do futebol o reconhecimento veio na festa dos Melhores do Ano da FIFA 2011, onde o treinador recebeu o Prêmio Presidencial da FIFA, dado a grandes personalidades do futebol.

No entanto a homenagem que realmente lhe emocionou foi de iniciativa do próprio Manchester, que batizou a ala norte do seu estádio como "Ala Sir Alex Ferguson". Emocionado, treinador disse em entrevista ao site da FIFA:  "Fiquei muito honrado e emocionado quando vi o meu nome naquela arquibancada, durar tanto tempo no cargo parece um conto de fadas. Na profissão de técnico, as coisas mudam muito rapidamente.”

E a sobrevivência em meio as mudanças, crises e críticas que um treinador passa, tornam Ferguson um craque, não nas quatro linhas, mas ali na área técnica, com um sábio olhar sobre o futebol. Sua visão a longo prazo, paciência, visão atenta ao mercado da bola e controle nos vestiários, colocando muitos beberrões e mandões para fora, lhe tornaram um profissional diferenciado e respeitado no meio do futebol. Ele transformou o Manchester de coadjuvante na Inglaterra em uma das principais equipes do futebol mundial.

Sua trajetória foi brilhante, agora resta saber como continuará o United a partir de agora. Uma coisa é certa: Se os passos do clube seguirem os ensinamentos de seu mestre, nessa necessária reformulação, surgirão muitos atalhos na caminhada por novas conquistas.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

DIA MUNDIAL DO DOENTE COM LÚPUS



Hoje, 10 de maio, é o dia mundial do doente com lúpus. Essa data foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com o objetivo de alertar as pessoas de todo o mundo a respeito dessa doença. Desta forma, resolvi reservar esse meu espaço de hoje, aqui no Opinião, para ajudar nessa divulgação de informações sobre o Lúpus.
  
Seguem abaixo um vídeo do conceituadíssimo Centro Paulista De Referência Em Medicina e Saúde no Brasil, o Fleury, com uma entrevista do assessor médico em imunologia e reumatologia da unidade, Luis Eduardo Coelho Andrade, falando sobre a doença e as principais características dela. Trago também o site do Doutor Drauzio Varela falando do Lúpus. É sempre bom se informar, leiam o site e assistam ao vídeo e ajudem também a divulgar as informações sobre a doença.


Vídeo:




quinta-feira, 9 de maio de 2013

DOIS DE JULHO PODE VIRAR FERIADO NACIONAL


O 2 de julho, dia em que comemoramos a Independência da Bahia em relação ao domínio da tropa portuguesa em nosso estado, pode, a partir do próximo ano, ser oficialmente incorporado como data histórica no calendário nacional. O projeto de lei formulado pela deputada federal baiana Alice Portugal (PC do B), está previsto como regra na Câmara dos Deputados e já foi aprovado pelo Senado no dia 8 de maio de 2013, só depende agora que a presidente da república, Dilma Rousseff, aprove a escolha do Congresso.

A Independência do Brasil não se definiu com o discurso de D. Pedro I em 7 de Setembro de 1822. O Grito do Ipiranga foi, na verdade, um grito de guerra que ocorreu no Norte e Nordeste do País. As lutas no Recôncavo baiano foram as mais sangrentas e a Independência da Bahia teve um papel chave na consolidação da Independência do Brasil.

Com as pressões pela independência no sudeste do país, as tropas portuguesas retiraram-se para províncias do Norte e Nordeste, com o comando português centralizado na capital soteropolitana. Em fevereiro de 1822, chegou de Portugal uma designação para o comando das Armas na Bahia. A Câmara Municipal – administrada pelos portugueses - negou-se a dar posse aquela ordem, e a partir de então, iniciou-se o conflito armado entre portugueses e brasileiros. As batalhas iniciaram-se no Recôncavo baiano, mas a batalha decisiva foi a de Pirajá, no subúrbio de Salvador. Em 2 de julho de 1823, as tropas brasileiras entraram e venceram a batalha em Salvador.

Com base nesse momento histórico, lembro ainda que o movimento baiano teve forte participação civil, além de ter sido sangrento, ao contrário da proclamação da independência nacional, que foi basicamente pacífico. Caso os portugueses vencessem na Bahia, haveria um avanço para a reconquista do restante do País, ou seja, as lutas na Bahia foram fundamentais para Independência do Brasil. Por isso, só tenho uma coisa a dizer: Aprova logo Dilma.


quarta-feira, 8 de maio de 2013

ABUSO DE PODER


Gritos de protesto, barulho de apitos, cartazes. Jovens realizam manifestação em busca dos seus direitos e paralisam o trânsito, causando congestionamento de veículos. No meio da confusão dois profissionais se destacam. De um lado a repórter com sua máquina fotográfica. Do outro, o policial militar e sua farda. Ambos exercendo suas respectivas funções.

Desde o princípio da manifestação, a repórter já estava presente. Fora avisada antecipadamente dos planos dos jovens. Entrevistou alguns dos manifestantes e quando eles de fato começaram a protestar, tirou a máquina fotográfica da bolsa e passou a registrar os acontecimentos.

Aos poucos os jovens foram interferindo no trânsito, impedindo que os veículos seguissem caminho. A viatura da polícia chega ao local e orienta carros, motos e ônibus, para melhorar o congestionamento. Conversam com os estudantes e, por se tratar de uma manifestação pacífica, permitem que eles prossigam durante mais algum tempo com o protesto.

Com o olhar direcionado para suas fotografias, a repórter busca os melhores ângulos para narrar, através das imagens, os fatos ocorridos. Tenta fotografar a viatura com os estudantes ao fundo, de modo a ilustrar a presença da polícia; um carro que segue seu caminho com a ajuda dos policiais; um soldado de costas, focando apenas no fundo do colete onde está escrito “polícia militar”... mas, é impedida de prosseguir com seu trabalho.

- Apague agora! – diz o policial para a repórter. – Vamos, apague! Não é para ficar tirando foto da polícia, não! – repete, de forma grosseira.

Foto: Ilustrativa (Reprodução)
Assustada com a reação do policial, a repórter segura seu crachá e a máquina fotográfica, tentando mostrar sua profissão, e como o trabalho que realizava não estava expondo nenhum dos policiais que participavam da operação.

- Mas a foto ... – tenta explicar.
- Não, apague! – repete o policial, levantando o seu tom de voz.

Tenta completar suas frases, explicando suas intenções, sua profissão, seu trabalho, mas por diversas vezes não consegue falar mais do que três palavras. É interrompida, todas as vezes, por um policial que se mostra avesso a um diálogo pacífico e tenta impor sua vontade sem demonstrar respeito nem pela cidadã, nem pela jornalista que se encontrava à sua frente.

Alguns jovens manifestantes começam a interferir na discussão. Pedem para que a repórter obedeça às ordens do PM e apague a foto desfocada, onde pode-se ver apenas as costas de um policial, onde lê-se “polícia militar”. Dividida entre a luta pelos seus próprios direitos e os pedidos dos manifestantes, a repórter decide apagar a foto, não, sem antes, anotar o nome do soldado que a havia tratado de forma tão grosseira.

Desde criança, sempre fora uma garota tranquila e obediente. Também estava acostumada com a farda marrom, o colete pesado e o coturno, que, vez ou outra, ficavam espalhados pela casa depois que seu pai chegava do trabalho. Não só pela sua índole, bem como pela relação que sempre teve com os policiais através de sua própria família, ela sempre teve respeito e admiração por esses profissionais, responsáveis pela segurança dos cidadãos e ordem na sociedade. Não conhecia o abuso de autoridade frequentemente praticado pelos mesmos.

Naquele mesmo dia, em frente ao seu computador, escrevendo e editando fotos para a matéria, ela relembrava o que viveu durante a manifestação. Ainda estava com aquela sensação ruim, típica de pessoas que não gostam de participar de discussões. Mas, apesar da sensação, conhecia seus direitos e sabia que não estava errada em tentar manter um diálogo com o policial e explicá-lo sobre suas intenções, mesmo que depois apagasse a imagem.

Como repórter, ela tinha garantido seu direito à liberdade de imprensa. De acordo com o artigo 5º, inciso IX, da Constituição Federal, “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença”. E como cidadã, ela tinha garantido o direito de ser respeitada. Não era por causa de uma farda que outro cidadão poderia infringir seu direito.

Depois de digitar o ponto final, observou sua matéria. Não publicou nenhuma foto da polícia, apenas informou a presença e o trabalho realizado pela mesma. Também não pretendia fazer nenhuma queixa ao comandante, ao seu pai ou a quem quer que fosse. Talvez algum dia pudesse esclarecer o episódio com o soldado, do qual nunca se esquecerá o nome. Mas não valia a pena prolongar e expandir uma situação que já havia passado e tinha sido “resolvida”.

O que valeu a pena foi a experiência vivida, que fez com que ela aprendesse na prática alguns dos desafios da sua profissão. Para evitar discussões, algo que ela detesta, avisará ao comando da operação, na próxima vez que precisasse fotografar a atuação da polícia. Mas ela não irá abrir mão dos seus direitos. Afinal, se todos conhecessem seus próprios direitos e deveres, haveria menos abuso de poder.


segunda-feira, 6 de maio de 2013

BOLSA FAMÍLIA: NOVAS GERAÇÕES ATÉ QUANDO?


Um dos meios utilizados pelo jornalismo em sua missão de informar à sociedade o que for de seu interesse é a realização de levantamentos e pesquisas. Se aposta em assuntos que provavelmente têm uma notícia escondida, ou ações que imagina-se um resultado negativo passado algum tempo. São agrupados dados que podem se transformar em grandes reportagens, durante meses e até anos.

Uma dessas reportagens foi publicada neste domingo, 5 de maio, pelo Jornal O Globo(RJ), sendo escrita pelo jornalista Demétrio Weber. A capa do jornal destacava o fato de que 45% dos domicílios que recebiam o auxílio no início do programa, em 2003, continuam recebendo, totalizando mais de 522 mil benefícios mensais. A Bahia é o estado com a maior concentração de beneficiários desde o começo, mais de 83 mil. A reportagem ressalta que "não é possível afirmar se os 55% restantes que estavam na lista original dos beneficiários deixaram de vez o programa ou retornaram mais tarde". As saídas podem ter sido também por não cumprimento das exigências do programa, e também por filhos que completaram 18 anos.

Reprodução: O GLOBO
Um outro enfoque da matéria também me preocupou, tanto que motivou esse texto: "Jovens que cresceram em lares beneficiados têm filhos e passam a ganhar auxílio". Ou seja, o programa começou a torna-se um ciclo, onde um beneficiário do programa tem uma filha, que cresce e tem uma outra criança,  tornando-se outra beneficiaria.

Antes de qualquer coisa, é fundamental deixar de lado a visão preconceituosa de que o programa é uma Bolsa Esmola. Muitas pessoas estão vivas e em condição digna por conta disso. Pessoas que nunca tinham sido olhadas pelo país passaram a viver de modo um pouco melhor. Além disso, sabemos que aqueles que vivem apenas com o dinheiro do programa ainda passam dificuldades, o que faz com que muitos dos que recebem o auxílio corram atrás de ganhar dinheiro de outras formas, no trabalho informal.

Atualmente, segundo O Globo, cerca de 50 milhões de pessoas, de quase 14 milhões de famílias, recebem o auxílio. No início eram apenas pouco mais de um milhão de famílias. Um grande crescimento, num cenário onde o Bolsa Família, agora comprovadamente, não prepara as pessoas para deixarem o programa, tendo em vista a grande quantidade de famílias que nesses dez anos não foram preparadas a caminhar sozinhas.

Apesar de necessário, o Bolsa Família caminha num sentido de quem vai se eternizar, quando deveria ser um paliativo (por falar nisso, leiam também o texto "País dos Paliativos Eternos").  Prova disso são as eleições do ano passado, onde até mesmo pessoas que sempre foram contra o programa, diziam que iriam mantê-lo. Não num tom de reconhecimento da importância, e sim numa ação populista e eleitoreira, que perpetuará o programa durante anos, agradando uma população ignorante que não compreende que ela pode ir além disso, cobrando uma educação que lhe dê condições de possuir boa formação profissional, um emprego bacana e salário decente.

Na reportagem, o Secretário Nacional de Renda de Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Luis Henrique da Silva de Paiva, disse que o programa "contribui para que o público atendido caminhe com as próprias pernas, na medida em que exige a frequência escolar das crianças".

Será que frequência escolar virou sinônimo de qualidade na educação? Apesar das exceções, todos nós conhecemos exemplos de escolas públicas em péssimas condições, profissionais mal remunerados e sem boa preparação. Inclusa nessa frequência escolar estão até jovens que vão ao colégio se drogar, analfabetos funcionais e seres humanos que crescem sem preparação nenhuma para enfrentar as dificuldades impostas pela vida. Aliás, durante essa frequência escolar são geradas crianças que em breve serão beneficiadas pelo programa.

O cenário mostrado pela reportagem demonstra que esse programa, que poderia ser o grande rumo de uma mudança do Brasil, garantindo o sustento e a educação, vai num rumo de eternidade. Não existem metas de quando o projeto deseja reduzir drasticamente número de beneficiários, onde a grande maioria deles passe a viver de modo autossuficiente. Manter as pessoas apenas recebendo, por mais décadas gera votos e é do interesse de muitos. Não é à toa que essa reportagem só saiu após recursos do jornal que fizessem valer a Lei de Acesso à Informação. A divulgação desses dados é uma vitória da sociedade.

O jornal divulgou a publicação do impresso na internet, através de várias matérias. Confira os links abaixo:

Bolsa Família completa 10 anos e já chega à segunda geração

Lista de beneficiários do Bolsa Família foi obtida após recursos

Secretário afirma que programa não cria dependência

Mapa: concentração de beneficiários desde outubro de 2003

Perfil de pobreza muda em dez anos do programa Bolsa Família 
  

sexta-feira, 3 de maio de 2013

DICA DE LEITURA


     
NOTÍCIAS DO PLANALTO

Olá leitores do Opinião! Hoje é sexta, dia de texto meu aqui, mas acontece que tenho visitinhas de familiares aos quais estou matando a saudade. Aquelas pessoas que moram longe da gente fisicamente, mas não espriritualmente, e quando temos a chance de estar perto aproveitamos cada segundo. Mas eu também não poderia abandonar vocês, desta forma, hoje deixarei aqui uma dica e não um texto. Fiquem ligados!

Quem me conhece sabe que amo ler. No últimos tempos tenho me dedicado a leituras que fogem um pouco às minhas preferências, mas que vem me surpreendendo pela qualidade e consistência. Hoje deixo aqui uma dica, que serve principalmente para os colegas jornalistas e aspirantes a tal, é o livro de Mario Sérgio Conti “Notícias do Planalto – A imprensa e Fernando Collor”.

       “Um livro sobre os poderes e limites da grande imprensa. Num relato pioneiro, Mario Sergio Conti mostra - por dentro - o que é a grande imprensa, como ela age, como são tomadas as decisões nas redações, como surgem as grandes reportagens. Os proprietários dos órgãos de comunicação, os jornalistas que formaram dezenas de profissionais e definiram os estilos de jornais e revistas, os repórteres que lançaram mão de um sem-número de expedientes para escrever matérias sobre Fernando Collor e Paulo César Farias - todas as linhagens do jornalismo político nacional estão vivas neste livro.”


Estou amando o livro e recomendo. É um leitura instigante. Aproveitem. LEIAM!!!!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

DESCULPAS NEM SEMPRE COLAM


Meus amigos e eu sempre fazemos um concurso para saber quem conta a piada mais ridícula entre todos, na última edição ouvi uma, entre tantas, que me faz gargalhar a cada vez que lembro. Melhor é que a piada virou base para um texto.  

A história era assim: Um casal havia acabado de se mudar para uma casa que ficava ao lado da linha do trem. Todas as noites, quando já estavam dormindo, o trem passava e a trepidação fazia a porta do guarda-roupa se abrir. O barulho fazia o casal acordar assustado e aquilo já estava prejudicando suas noites de sono. Sempre fugindo dos problemas de casa, o marido disse que aquele era um problema para a mulher resolver, já que fora ela quem escolheu a nova casa. A mulher então foi atrás de um marceneiro e pediu para que ele consertasse a porta do guarda-roupa. O homem fez o trabalho, só que à noite, quando o trem passou, a porta abriu mais uma vez.

No dia seguinte, a mulher chamou o marceneiro e reclamou. Pediu para que ele ficasse lá até ter certeza de que havia resolvido a questão. O marceneiro fez o reparo de novo, mas para garantir que o problema não se repetiria, decidiu ficar lá até o trem passar. Quando o marido chegou à noite em casa e foi até o quarto para se trocar, abriu a porta do guarda-roupa e deu de cara com o marceneiro lá dentro. Irritado, já pensando na mulher, gritou com ele: “O que significa isso? Você pode me explicar o que está fazendo aí dentro?” O pobre marceneiro respondeu: “O senhor não vai acreditar, mas estou esperando o trem passar.”

Dar desculpas é a maneira mais comum de justificar comportamentos impróprios ou até a falta de uma atitude, assim, ao mesmo tempo as pessoas indicam que são comprometidas, mas que não puderam agir de uma forma diferente naquela situação. A sensibilidade e a relação que cada um mantém com as desculpas impostas são totalmente próprias e divergem de acordo com o momento vivido e o estado de espírito. Mudam o uso e a aceitação dessas justificativas em função principalmente dos contextos familiar, social e cultural.

Paralelamente somos algozes e vítimas das emboscadas dessas justificativas, tanto quando a recorremos ou quando nos sentimos ludibriados por alguém que as utiliza conosco. Corremos o perigo eminente de as pessoas que fazem parte da nossa rotina ficarem fatigadas, exaustas de ouvir, compulsivamente, desculpas que justifiquem nossos erros, especialmente se notarem que, voluntariamente, traímos sua confiança e o sentimento de uma relação verdadeira e saudável.

A história do casal e do marceneiro pode até ser uma piada, mas é útil para mostrar que desculpas podem ser inconvenientes em qualquer situação. Depois de um tempo, as pessoas reconhecem em nosso olhar se as justificativas dadas são realmente verdadeiras ou descabidas. O hábito de inventar desculpas ao longo da vida faz com que a gente perca o domínio próprio e o sentido real do nosso destino. Ao procurarmos sempre inocentar nossos erros, desperdiçamos a chance de evoluirmos como razão e principalmente como coração.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

TRABALHO NÃO VAI FALTAR


Sentadas em uma mesa da praça de alimentação da faculdade, três alunas conversam sobre seu futuro profissional. Com humor, mas também com preocupação, elas comentam sobre a dificuldade que terão em equilibrar sua realização profissional com a estabilidade financeira. Para elas, essa é uma guerra que se aproxima cada vez mais, à medida que vão concluindo seu curso.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), 39,35% dos jovens buscam “sucesso e reconhecimento” ao ingressarem no mercado de trabalho. Em segundo lugar vem a “estabilidade profissional”, com 22,67%. Na pesquisa, a Nube perguntou à quase cinco mil internautas o que seria mais importante em suas carreiras. Em último lugar ficou a opção “bom salário e benefícios”, com apenas 9,5%.

Para Renato Bernhoeft, colunista da revista Valor Econômico, “as empresas deverão rever seus modelos de carreira, estímulos, hierarquia e retenção de talentos”. Mas os jovens também terão que repensar suas alternativas de carreira.

Os que visam à estabilidade profissional e bom salário devem investir no setor de serviços e construção civil, que têm apresentado um aumento na oferta de empregos formais (com carteira assinada). O setor industrial também se inclui neste aumento. E é por esse motivo que tem crescido o número de trabalhadores formados em ensino técnico. A educação profissional teve um crescimento de 75% no Brasil, entre os anos de 2002 e 2010, de acordo com uma pesquisa feita pela Itaú Social. Esse aumento está relacionado ao número de ofertas e ao salário desses profissionais, que recebem um retorno financeiro mais rapidamente do que em outras áreas.

No Brasil, o Ministério do Trabalho e Emprego informou que foram gerados 1,3 milhão de empregos formais em 2012. O dado, baseado no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), afirma que houve um aumento de 3,43%, comparado a 2011.

Entretanto, segundo um estudo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), “a taxa de desemprego entre os jovens vai piorar globalmente por causa do contágio da crise do euro para as economias emergentes.” Nas projeções, a taxa de desemprego dos jovens pode atingir 12,9% até 2017.

Em meio aos números atuais e as previsões para o futuro, uma das poucas conclusões que a três estudantes conseguem tirar é que o mercado de trabalho é flutuante e sempre mutável. É por isso que é importante elas terem a mente aberta para as novas possibilidades. Alguns trabalhos podem desaparecer, enquanto outros, que elas nem imaginam, vão surgir.

Atualmente trabalhos relacionados à engenharia de mobilidade, gestão de mídias sociais, entre outros, já estão ganhando cada vez mais espaço no mercado e correspondem a áreas que não tinham sido previstas há 20 anos atrás.

As estudantes encerram sua conversa sobre o futuro profissional e despedem-se. Ainda estão preocupadas sobre como vão conquistar o equilíbrio nas suas carreiras. Mas de uma coisa elas tem certeza: trabalho nunca vai faltar.