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quinta-feira, 6 de junho de 2013

SALVADOR SOFRE COM A FALTA DE LIXEIRAS PÚBLICAS



No final de maio, o apresentador do programa “Agora é Tarde”, Danilo Gentili, em entrevista com o grupo mexicano Maná, questionou os músicos sobre qual a maior referência musical do Brasil para cada um deles. Sem hesitar, os integrantes da banda lembraram do Olodum e ainda manifestaram o interesse em conhecer Salvador. Diante a curiosidade dos músicos em visitar a capital baiana, Danilo replicou: "Vou dar um conselho a vocês, quando forem à Bahia, usem prendedor no nariz para não sentir o cheiro de urina".

Apesar do comentário machucar o ego dos soteropolitanos, Gentili não mentiu em sua declaração. Pior é que o cheiro forte de urina percebido pelo comediante não é o único problema social e administrativo carente de solução imediata na cidade. E o que dizer da falta de lixeiras públicas?

Há alguns dias decidi pedalar no bairro onde eu moro, Boca do Rio, até Itapuã. Na volta a corrente da bicicleta quebrou. Parei em uma lanchonete, comprei uma garrafa de água e caminhei, bebi e quando procurei uma lixeira pública, cadê que eu achei? Então decidi contar quantas lixeiras encontraria no caminho de volta para casa. Encontrei oito, quatro delas no mesmo lugar, na praia de Patamares, também não poderia ser diferente, a praia é bem visitada por turistas, surfistas e a classe média alta. É bom lembrar que a distância percorrida entre os dois bairros foi de 14,24 km.

Salvador, como a grande maioria dos centros urbanos, não dispõe de lixeiras públicas compatíveis a quantidade de lixo produzido por quem vive aqui. A maioria é encontrada no centro da cidade, pontos turísticos, praças centrais e bairros nobres. Esse problema é bem curioso, porque a instalação, a manutenção de lixeiras públicas e a reciclagem seletiva em praças e instituições de bairros carentes são um dos passos básicos da educação ambiental, tão lembrada nas três últimas eleições para prefeito. O resultado disso é a poluição visual, da água e do solo, cidade suja, bueiros entupidos, atração de insetos e roedores transmissores de doenças.

Se alguém me falar que esse não é um problema apenas do poder público, eu vou concordar e lembrar que muita gente culpa as autoridades, mas esquece que todos nós produzimos lixo e por isso somos responsáveis pelos cuidados que amenizem as más consequências. Porém eu tenho que lembrar que a auto-estima da população depende do empenho da prefeitura, boa distribuição de lixeiras pelas ruas, organização e mobilização dos recicladores profissionais, tudo isso conta muito.

Segundo levantamento feito pelo Ministério das Cidades em 306 municípios que representam 55% da população urbana do Brasil, apenas 53,8% da verba destinada chega a essas cidades. Para onde vai quase metade desse valor?

A questão das lixeiras faz parte do mobiliário urbano que é o braço direito do Plano Diretor (instrumento básico que orienta a política de desenvolvimento e de ordenamento da expansão urbana do município), a não aprovação dessa lei até hoje atrasa a definição de novas regras como, por exemplo, a implantação, padronização e os cuidados com as lixeiras.

Cada prefeitura deve ter, e cumprir, seu plano de tratamento de resíduos; garantir o atendimento das necessidades e uma melhor qualidade de vida na cidade; preservar e restaurar os sistemas ambientais e consolidar os princípios da reforma urbana, o que não está acontecendo em Salvador. Não foi à toa que ficou em último lugar, entre as capitais brasileiras, quanto a coleta de lixo público, são em média 1200 Kg recolhido a cada mês.  E eu nem peço tanto, só um lixeira pública em cada rua, avenida, alameda, jardim, logradouro, praça, quadra ou travessa, que é o mínimo indicado.

A busca de uma cidade sustentável, que atenda não só a atual, mas às gerações futuras, passa pela destinação correta do lixo produzido pelos habitantes. Já que a administração pública local não cumpre devidamente o seu papel, a população deve fazer a sua parte e um pouco mais. Cada garrafa plástica, papel de bala, embalagem que uma pessoa não joga no chão já faz muita diferença. Não basta só ter consciência ambiental, é preciso também ter ação consciente e solidária. Infelizmente nessa cidade ser cidadão esbarra na falta de estrutura.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

CORPUS CHRISTI E A SUA MENSAGEM


A expressão Corpus Christi vem do latim e significa Corpo de Cristo. É uma festividade religiosa da Igreja Católica e tem como objetivo celebrar o mistério da eucaristia (um dos sete sacramentos instituídos antes da Última Ceia), ou seja, ação de graças, consagração que contém real e substancialmente o corpo, o sangue, a alma e a divindade do Cristo Jesus sob as espécies de pão e de vinho.

O feriado de Corpus Christi é uma das festas que giram em torno da Páscoa. Só relembrando, a Páscoa é comemorada no primeiro domingo depois da lua cheia de 21 de março (data do equinócio). Para que você entenda quando é comemorada todas as festas que giram em torno da Páscoa até chegar ao feriado de Corpus Christi, fiz um resumo:

- Terça-Feira de Carnaval: 47 dias antes da Páscoa                                                                 
- Quarta-feira de Cinzas: 46 dias antes da Páscoa                                                         
- Quaresma: 40 dias antes da Páscoa                                                                                
- Domingo de Ramos: Um domingo antes da Páscoa                                                        
- Pentencostes: 50 dias depois do domingo de Páscoa                                                         
- Corpus Christi: Quinta- feira seguinte ao domingo de Pentecostes                                                

A comemoração do Corpus Christi foi decretada em 1269, século XIII, na Bélgica. No Brasil, a festa passou a integrar o calendário religioso a partir de 1961, mas em Salvador a festa já é celebrada desde 1549, ano de fundação da cidade.

Segundo a Bíblia, Jesus foi morto em sacrifício expiatório, entregando o seu corpo e o seu sangue para que fossemos perdoados dos nossos erros. Na Cruz, o pecador é identificado com Cristo e a ele é unido.

A partir dessa celebração, eu lembro que por várias vezes na vida contrariamos ou temos o nosso sentimento contrariado por pessoas que nos rodeiam e que ratificam a razão da nossa existência (pai, mãe, irmãos, amigos e tantos outros). Magoamos ou somos magoados, contestamos ou temos a nossa dignidade contestada.

E o que geralmente fazemos? Fugimos, nem sempre do ponto de vista físico, mas do ponto de vista do coração. Evitamos a quem prejudicamos ou por quem fomos prejudicados, para que quem errou não veja no fundo dos olhos do outro um espelho retransmitindo a desilusão causada pelo verbo que o ser humano mais conjuga durante a vida: errar. É bem verdade que não podemos passar toda a vida fugindo de problemas criados ou dos desenganos da alma, inevitavelmente, por vontade própria ou contra ela, chegará um momento em que nos depararemos com o passado, e ele é impiedoso.

Corpus Christi é uma das festas móveis que lembram o sacrifício oferecido por Cristo na cruz do calvário, para que nossos erros fossem lançados no mar do esquecimento. Lembre-se sempre, independente de traços religiosos, que a reconciliação é uma chave que abre duas portas diferentes: perdoar e pedir perdão, essas são as duas atitudes mais nobres que existem.

Um erro cometido nunca poderá ser maior do que a falta que uma pessoa fará em nossa trajetória. Existem motivos infinitos que podem comprometer a saúde de uma relação e que nos indicam o caminho para que esqueçamos um coração, mas se houver um único motivo nessa relação que nos faça feliz, esse com certeza deve prevalecer. Que nesse dia relações sejam ressuscitadas. 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

REPÚDIO AO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA


No dia 7 de maio de 2013, o governo brasileiro, através do ministro da saúde, Alexandre Padilha, anunciou que estudava alternativas para suprir a escassez de profissionais médicos nas regiões mais carentes do País e analisava a possibilidade de um intercâmbio, onde seriam importados médicos de Portugal, Espanha, Irã e Cuba. 

Em imediato, o Conselho Federal de Medicina (CFM) repreendeu a proposta, divulgando uma nota em repúdio ao acordo que previa a vinda de 6 mil médicos, principalmente os cubanos, e entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República contra a medida. A Instituição resiste à contratação de médicos estrangeiros e de brasileiros com diplomas de medicina obtidos fora do país sem revalidação, além de criticar qualquer informação que leve a população brasileira acreditar que a desordem alojada na saúde pública seja responsabilidade integral dos profissionais médicos.

Depois de tanta rejeição, o governo brasileiro recuou a proposta e alegou descartar a importação de médicos do Irã e de Cuba, afirmando que esses profissionais não têm o tempo de formação necessária reconhecido no seu próprio de origem. É bom ressaltar que apenas a formação em uma Instituição Educacional não garante o exercício da profissão médica, é necessária a especialização e a residência médica. Sendo assim, a prioridade do governo brasileiro serão os médicos vindos de Portugal e da Espanha. 

O principal motivo do protesto do Conselho Federal de Medicina, dos médicos de forma individual e de parte da imprensa foi uma hipotética validação imediata dos diplomas dos médicos cubanos. Eu não sou partidarista, mas a verdade tem que ser dita, desde o início desse debate, em nenhum momento isso foi declarado por qualquer membro do governo. Muito pelo contrário, o próprio ministro da saúde, Alexandre Padilha e o Itamaraty concordaram que a contratação de médicos estrangeiros deve seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissional comprovada. O governo não proclamou que traria médicos cubanos de maneira indiscriminada para o país como tem sido noticiado. Essa é uma publicação injusta e ilícita.

Continuo questionando as críticas, porque a cobrança pela revalidação dos diplomas é apenas para os médicos de Cuba? Li por mais de um colunista, blogs e periódicos que Portugal já importa médicos cubanos desde 2009, lá, assim como aqui no Brasil, os médicos torcem o nariz quando são convocados a trabalharem nas áreas mais carentes, distantes dos centros urbanos.

Os cubanos chegaram bem estimulados ao país europeu, preencheram os requisitos básicos e foram bem avaliados nas provas aplicadas antes de ingressarem no país.

Diferente do Brasil, os portugueses aprovaram o auxílio dos cubanos, e em 2012, no final do contrato, sob apelo popular, o governo português renovou a parceria com amplo apoio, principalmente dos pacientes. Em resumo, um dos países com melhores resultados na área de saúde pública do mundo importa médicos cubanos e a população aprova o trabalho feito.

É bom lembrar que Cuba exporta médicos para mais de 70 países, o país tem eficiência comprovada na área de medicina, farmácia e biotecnologia. Os profissionais da ilha caribenha fazem medicina preventiva em massa e de qualidade.

Com recursos inferiores, a medicina de Cuba traz muito mais resultados que a nossa medicina. Eu considero muita ignorância e prepotência afirmar que os médicos cubanos não estão preparados para realizar medicina básica no Brasil. Repetindo, com muito menos recursos financeiros e tecnológicos, a medicina de lá tem índices de saúde bem melhores que a do Brasil e semelhantes a dos Estados Unidos.

Eu lamento profundamente por quem faz parte da classe média e é influenciado pelos meios de comunicação voltados para a classe alta, que até chamaram os profissionais cubanos de espiões comunistas. O Conselho Federal de Medicina prefere criticar e difamar a contratação de médicos estrangeiros do que atender, de acordo com a necessidade,  a população que clama por ajuda nos lugares mais distantes desse país.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

PT - 10 ANOS DE ESPERANÇAS E DESILUSÕES


2013 é um ano especial e de comemorações para os membros, partidaristas e principalmente para a cúpula idealizadora do Partido dos Trabalhadores (PT). A segunda maior legenda política e partidária da nossa democracia, fundada no início dos anos 1980 por uma organização sindical espontânea de operários paulistas, intelectuais de esquerda e católicos ligados à Teologia da Libertação, completa 10 anos de administração a frente do Governo Federal. A reflexão das consequências dessa gestão, pontos positivos e negativos, será antes de tudo, uma avaliação legítima e ética, porém jamais simplificada.

Vivíamos economicamente desagregados das políticas públicas, com referência a inclusão social e econômica. Com a distribuição de renda menos desequilibrada, o partido da estrela vermelha teve um papel decisivo no plano econômico, aperfeiçoando programas sociais como o Bolsa Família, que beneficia, direta e indiretamente, 14 milhões de famílias inteiras, fazendo com que a maioria das pessoas das classes D e E emergissem para a classe C, projetando a construção de uma sociedade de classe média nas prioridades do país. Dilma já afirmou várias vezes que deseja fazer do Brasil um país de classe média, como a França, essa é uma ideia no mínimo racional.

O partido, terminantemente, instituiu o combate à pobreza extrema e mostrou também que a esquerda pode ter competência para governar um país com dimensões continentais, o que na prática torna viável a alternância política no país. Em geral, financiou a orientação para uma reforma política baseada na conquista de benefícios às classes sócias menos privilegiadas. Além de ter liderado parte da mudança política que indicou a todo continente sul-americano para a ideologia esquerdista, construindo uma autonomia maior frente ao imperialismo dos Estados Unidos.

Foi feito um alto investimento na educação e é preciso destacar a duplicação das vagas nos Institutos Federais de ensino superior. Houve quase que a triplicação das escolas técnicas federais e a criação de um Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico, o que aumentou potencialmente a qualidade da educação básica nos Estados e Municípios mais pobres do Brasil. A prova de que evoluímos, é que o país oscila entre a 5ª e a 7ª economia do Mundo, encabeçando a relação de nações que tem poder de voto e de veto quanto ao futuro social e econômico do resto do mundo.

Só que nem tudo são flores, nesses 10 anos os petistas se adaptaram ao poder, mais que o permitido. Lembro bem de quando eu ainda era 8ª série, falava com meu professor de geografia, meses depois da primeira posse do ex-presidente Lula, que ele e o partido deveriam ter discutido abertamente o que manteria da ideologia primária e onde faria licenças obrigatórias, sabido que em nosso sistema político, o partido governista não tem e nem poderia ter a maioria no Congresso. Faltou essa transparência e por isso tantos problemas éticos.

Com tantos escândalos políticos, como maior exemplo o Mensalão, onde 25 petistas e agregados partidários foram condenados por formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa, evasão de divisas e gestão fraudulenta, o PT contribuiu para que a população se desencantasse com os políticos e para a falta de discussão pública sobre a política em nosso país, o sentimento político do brasileiro se resume basicamente em ataques a quem se opõe a sua forma de pensar.

Hoje em dia, grande parte dos brasileiros fazem, em média, quatro refeições diárias. Só que esse mesmo Governo Federal destina apenas entre 30 e 40 centavos para a merenda escolar diária de cada estudante matriculado no ensino fundamental ou médio em escolas públicas. Sem contar que grande parte da população beneficiada pelos programas sociais foi mal instruída, se tornando dependente perdurável dessa ajuda de custo.

E o que dizer do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)? O problema da infraestrutura continua sendo intocado, as condições de nossas rodovias, portos e aeroportos nos derrubam para as piores colocações dos rankings mundiais de competitividade. Um país totalmente arrematado pela insegurança pública e pelo crack; a Petrobrás teve uma perda irreparável no seu valor de mercado; o desmonte das estatais e a complacência à intolerância, aos desvios éticos e ao autoritarismo.

O fato é que em uma década, o antigo partido da classe operária despertou em nós um misto de sentimentos muito bem definidos. É a esperança e a desilusão comemorando Bodas de Estanho.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

DOIS DE JULHO PODE VIRAR FERIADO NACIONAL


O 2 de julho, dia em que comemoramos a Independência da Bahia em relação ao domínio da tropa portuguesa em nosso estado, pode, a partir do próximo ano, ser oficialmente incorporado como data histórica no calendário nacional. O projeto de lei formulado pela deputada federal baiana Alice Portugal (PC do B), está previsto como regra na Câmara dos Deputados e já foi aprovado pelo Senado no dia 8 de maio de 2013, só depende agora que a presidente da república, Dilma Rousseff, aprove a escolha do Congresso.

A Independência do Brasil não se definiu com o discurso de D. Pedro I em 7 de Setembro de 1822. O Grito do Ipiranga foi, na verdade, um grito de guerra que ocorreu no Norte e Nordeste do País. As lutas no Recôncavo baiano foram as mais sangrentas e a Independência da Bahia teve um papel chave na consolidação da Independência do Brasil.

Com as pressões pela independência no sudeste do país, as tropas portuguesas retiraram-se para províncias do Norte e Nordeste, com o comando português centralizado na capital soteropolitana. Em fevereiro de 1822, chegou de Portugal uma designação para o comando das Armas na Bahia. A Câmara Municipal – administrada pelos portugueses - negou-se a dar posse aquela ordem, e a partir de então, iniciou-se o conflito armado entre portugueses e brasileiros. As batalhas iniciaram-se no Recôncavo baiano, mas a batalha decisiva foi a de Pirajá, no subúrbio de Salvador. Em 2 de julho de 1823, as tropas brasileiras entraram e venceram a batalha em Salvador.

Com base nesse momento histórico, lembro ainda que o movimento baiano teve forte participação civil, além de ter sido sangrento, ao contrário da proclamação da independência nacional, que foi basicamente pacífico. Caso os portugueses vencessem na Bahia, haveria um avanço para a reconquista do restante do País, ou seja, as lutas na Bahia foram fundamentais para Independência do Brasil. Por isso, só tenho uma coisa a dizer: Aprova logo Dilma.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

DESCULPAS NEM SEMPRE COLAM


Meus amigos e eu sempre fazemos um concurso para saber quem conta a piada mais ridícula entre todos, na última edição ouvi uma, entre tantas, que me faz gargalhar a cada vez que lembro. Melhor é que a piada virou base para um texto.  

A história era assim: Um casal havia acabado de se mudar para uma casa que ficava ao lado da linha do trem. Todas as noites, quando já estavam dormindo, o trem passava e a trepidação fazia a porta do guarda-roupa se abrir. O barulho fazia o casal acordar assustado e aquilo já estava prejudicando suas noites de sono. Sempre fugindo dos problemas de casa, o marido disse que aquele era um problema para a mulher resolver, já que fora ela quem escolheu a nova casa. A mulher então foi atrás de um marceneiro e pediu para que ele consertasse a porta do guarda-roupa. O homem fez o trabalho, só que à noite, quando o trem passou, a porta abriu mais uma vez.

No dia seguinte, a mulher chamou o marceneiro e reclamou. Pediu para que ele ficasse lá até ter certeza de que havia resolvido a questão. O marceneiro fez o reparo de novo, mas para garantir que o problema não se repetiria, decidiu ficar lá até o trem passar. Quando o marido chegou à noite em casa e foi até o quarto para se trocar, abriu a porta do guarda-roupa e deu de cara com o marceneiro lá dentro. Irritado, já pensando na mulher, gritou com ele: “O que significa isso? Você pode me explicar o que está fazendo aí dentro?” O pobre marceneiro respondeu: “O senhor não vai acreditar, mas estou esperando o trem passar.”

Dar desculpas é a maneira mais comum de justificar comportamentos impróprios ou até a falta de uma atitude, assim, ao mesmo tempo as pessoas indicam que são comprometidas, mas que não puderam agir de uma forma diferente naquela situação. A sensibilidade e a relação que cada um mantém com as desculpas impostas são totalmente próprias e divergem de acordo com o momento vivido e o estado de espírito. Mudam o uso e a aceitação dessas justificativas em função principalmente dos contextos familiar, social e cultural.

Paralelamente somos algozes e vítimas das emboscadas dessas justificativas, tanto quando a recorremos ou quando nos sentimos ludibriados por alguém que as utiliza conosco. Corremos o perigo eminente de as pessoas que fazem parte da nossa rotina ficarem fatigadas, exaustas de ouvir, compulsivamente, desculpas que justifiquem nossos erros, especialmente se notarem que, voluntariamente, traímos sua confiança e o sentimento de uma relação verdadeira e saudável.

A história do casal e do marceneiro pode até ser uma piada, mas é útil para mostrar que desculpas podem ser inconvenientes em qualquer situação. Depois de um tempo, as pessoas reconhecem em nosso olhar se as justificativas dadas são realmente verdadeiras ou descabidas. O hábito de inventar desculpas ao longo da vida faz com que a gente perca o domínio próprio e o sentido real do nosso destino. Ao procurarmos sempre inocentar nossos erros, desperdiçamos a chance de evoluirmos como razão e principalmente como coração.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

CONSUMISMO É O DEUS DOS ÚLTIMOS SÉCULOS


Quase toda vez que eu esqueço em casa o meu fone de ouvido, um livro ou uma revista que ocupe o meu tempo nos ônibus, ouço, quase que por osmose, boas histórias ou até temas interessantes, em que eu possa, aqui no Opinião Pro Mundo, transcrever os meus sentimentos, a minha manifestação ideológica ou relatar a minha formação educacional. Fico grato ao universo literário por rotineiramente conspirar em meu favor.

Por mais uma vez não foi diferente. Voltando do estágio para casa, ouvi duas senhoras conversando sobre a crueldade do mundo capitalista em que habitamos e as tendências capitalistas que habitam em nós. Uma delas chorava copiosamente, enquanto a outra confortava. Lembro bem quando a senhora que consolava a sua amiga disse: “Não vale a pena chorar por gente que vive regida pelo consumismo, você lembra do estudo que fizemos a alguns dias baseado em Huaxi, aquela cidade chinesa em que um garotinho foi abandonado pelos pais?”.

Confesso que naquele momento não entendi nada, mas depois de chegar em casa e pesquisar na internet, descobri que o exemplo citado por aquela senhora quanto à cidade e o garotinho chineses faziam todo o sentido.

Huaxi é o exemplo típico do conceito de consumismo, a vila é a mais rica da China e o lugar onde, segundo o Governo local, é possível observar os frutos do verdadeiro desenvolvimento socioeconômico. Lá foi construído um arranha-céu de 74 andares chamado Zengdi Kongzhong, e para decorá-lo, foi encomendada a escultura de um touro feito com uma tonelada de ouro. 

Em contraste com aquele esplendor, muita desgraça, perto dali, um garotinho chamado Tha Sophat ficou famoso por conseguir sobreviver amamentando-se diretamente em uma vaca depois de ser abandonado pelos pais biológicos.




Consumismo é o ato de comprar produtos e/ou serviços sem necessidade e consciência. É compulsivo, descontrolado, cruel e principalmente injusto, além de nos influenciar mais negativamente que o permitido. O exemplo da China é o resultado característico do consumo irresponsável, ostentação fútil ao lado de miséria profunda. Os pecados consumistas fazem sentido até um certo ponto. Nos remetendo à velha Teoria Marxista, lembramos que estamos órfãos, na esperança que um senhor soberano vingue as nossas mazelas; nos salve, com urgência, da inevitável destruição e nos indique o caminho da felicidade eterna.

Precisamos desesperadamente voltar à realidade e vencer o deus dos últimos séculos, que teima em furtar muito mais do que as nossas economias. Temos que progredir em busca daquilo que de fato tenha valor e que venha contemplar a nossa existência. O consumismo é como uma rede lançada no mar, ela apanha peixes de todo tipo e quando está cheia, os pescadores a arrastam para a praia e sentam para separar os peixes: os que prestam(quem pode consumir) vai para dentro do cesto, os que não prestam (quem não pode consumir) são jogados fora. 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL

18 de abril é uma data especial para o calendário da nossa literatura, é o Dia Nacional do Livro Infantil e de justa homenagem a José Bento Renato Monteiro Lobato, precursor e umas das principais referências na formação do conjunto de obras literárias infanto-juvenil no Brasil. Em resumo, 18 de abril é dia de festa.  

E você sabe o que é melhor do que ouvir falar dessa tal festa? É participar dela e perceber como é encantador habitar no mundo das cores, saboreando, em cada página do livro, o admirável banquete proporcionado pela riqueza do universo de contos, gêneros, prosas, ficções, narrativas folclóricas, historietas, estórias.

Subir em um pé de feijão e bem lá no alto descobrir a exuberância desmedida de um mundo paralelo. Sonhar com as estrelas e se encantar desesperadamente com o romance entre a Lua e o Sol. Fazer do oceano um viveiro de peixes falantes, brilhantes e coloridos em busca de uma vida encantada e regada de sonhos ou até mesmo se indignar com a bruxa que tentou matar uma linda moça com uma maçã envenenada. Tudo propiciado pela magia dos livros.


Os livros exercem uma função importante na nossa sociabilização e na formação educacional, já que ratifica a missão fundamental do aprendizado, desencadeando uma ação voluntária para o desenvolvimento de pessoas críticas, participativas e edificadas, conceitualmente preparadas para construir um mundo diferente do qual discordamos.

Através da leitura regular, reagimos facilmente às mínimas impressões físicas ou morais, além de diversificarmos o vocabulário e a produção escrita, agilizamos o raciocínio lógico e aguçamos a nossa capacidade lúdica de imaginação. Isso nos torna, já na infância, mais compreensivos ao mundo que habitamos e sensíveis ao mundo que habita em nós.

Comemore o 18 de abril não apenas como o Dia Nacional do Livro Infantil ou o Dia de Monteiro Lobato, mas também como o dia que tem a diversão acima de qualquer outro propósito. Comemore como o dia que representa a possibilidade real de que os nossos heróis, improváveis e inocentes, deixem as suas glórias para viver junto de nós, e principalmente, dia que simboliza a eterna liberdade de sonhar e colorir o mundo em que os homens de “coração sem cor” choram a dor da falta de imaginação. 

Assista abaixo, uma reportagem do projeto "Lê Pra Mim", produzida por Lucas Coutinho e por mim. O projeto tem o objetivo de incentivar a leitura de livros infantis brasileiros, com atividades culturais. Esta edição contou com a participação de artistas e personalidades como o ator Erick Marmo e a escritora Mabel Veloso.


                            

quinta-feira, 11 de abril de 2013

MEU MELHOR PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

No dia do meu aniversário, minha prima de 8 anos me ligou, dando-me os parabéns pela data, desejou que eu fosse a pessoa mais feliz do mundo e antes de desligar disse: “Vini, muito obrigada por todas as vezes em que você me ajudou a começar a fazer os meus exercícios da escola. ”

Quando eu era bem pequeno, enquanto esperava minha mãe voltar do trabalho, eu ficava sob os cuidados de minha querida avó. Algumas vezes minha mãe colocava tangerina na minha lancheira, e como não tinha força suficiente para descascar aquela fruta com a casca muito dura, lembro bem que eu corria desesperadamente até minha avó e pedia: “Vó, está difícil, por favor, começa a descascar pra mim.” O que eu queria era que ela fizesse a primeira rasgadura na casca da tangerina, “começasse o começo”, me ajudasse a dar aquele primeiro passo, que era o mais duro e resistente, para as minhas mãos pequenas. Dali em diante, eu mesmo tirava o que sobrou da casca.

Infelizmente minha avó já se foi há um bom tempo, porém, ainda assim, vez ou outra, exaltadamente, meu pobre coração reclama da importância de ter alguém ao meu lado “começando o começo” por mim, descascando as incontáveis cascas duras que encontro na minha rotina.

Hoje em dia, minhas “tangerinas” são outras, maiores e com a casca bem mais dura do que as que minha mãe colocava na minha saudosa lancheira. Preciso “descascar”, muitas vezes sem ajuda, o contratempo para fazer o que o coração pede, a correria de ser universitário, as dificuldades do trabalho, os embaraços dos relacionamentos, problemas familiares, dificuldades financeiras, doenças, perdas, desilusões, medos e a busca infinita pela fórmula da felicidade. Nessas idas e vindas, muitas vezes a vida termina virando uma salada de frutas, as tangerinas terminam se transformando em abacaxis gigantescos ou em limões bem azedos.  

Assim que minha prima encerrou a ligação, lembrei do que minha avó - com seus ensinamentos budistas – me dizia toda vez que eu lhe pedia para descascar a tangerina: “Lembre-se sempre de ajudar as pessoas a dar o primeiro passo, assim como estou fazendo com você agora.”

Depois de tantas tangerinas, abacaxis, limões bem azedos e até pepinos descascados durante a minha trajetória, fico radiante em saber que atendi a recomendação da minha avó e pude “começar o começo” de um problema na vida de alguém. Eu acredito que você que está lendo esse texto também tem a capacidade de “começar o começo” ou até mesmo resolver todo o problema da vida de alguém. O que minha prima me disse no final daquela ligação foi o meu melhor presente de aniversário.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

SEJA SOLIDÁRIO E NÃO UM PARASITA


Era uma vez (confesso que amo esse trecho, acho tão inspirador, mas segue a história). Era uma vez, uma onça pintada que vivia em uma floresta. Um dia, um caçador a encontrou e percebeu que ela não tinha as patas da frente, ele pensou que talvez a onça as tivesse perdido, ao escapar de alguma armadilha ou do ataque de um predador.

Intrigado com o que tinha visto, o caçador ficou tentando imaginar como aquela onça conseguia sobreviver em condições tão desfavoráveis, já que não podia fugir dos predadores e muito menos buscar o seu alimento. O poder de caça das onças está nas patas, que lhe proporcionam uma força extraordinária. Curioso, ele decidiu ficar observando o animal.

A onça vivia sempre muito bem escondida perto de um rio e, vez ou outra, surgia um daqueles jacarés assustadores que despedaçava suas presas até a morte, jogando para tudo que é lado os restos da caça. Na espreita, quando o jacaré se afastava, voltando para dentro do rio, a onça saia do seu esconderijo para se alimentar do que o jacaré tinha espalhado. Por diversas vezes, de forma generosa e involuntária, o jacaré ofereceu parte da sua refeição para a onça.

Voltando para casa, o caçador parou e pensou: “Se essa onça está sendo alimentada sem fazer por merecer, por alguma força superior incontestável, por que é que eu tenho que batalhar tanto pelo meu alimento, se já trabalhei tanto nessa vida? Por que não posso ficar em casa descansando, também esperando para ser alimentado, tenho muito mais mérito que essa onça.” A partir daquele dia, o caçador decidiu que não iria mais trabalhar, decidiu que ficaria em casa esperando que as suas fontes de alimentação fossem trazidas por seus filhos.

Os dias foram se passando e nada de ninguém trazer a comida. O homem insistiu na sua ignorância, até que já estivesse só pele e osso. Perdeu sua casa, seu dinheiro e tudo mais... Perto de perder a consciência pela falta de alimento, ele ouviu uma voz - aquelas com um tom de grave acentuado – que lhe dizia: “Pobre homem. Por que insiste em não enxergar a verdade? Você não percebe que deveria ter seguido o exemplo de generosidade do jacaré, em vez de se identificar com a onça dependente? Como pode ser tão tolo?”

Arrumando o meu baú encontrei um antigo livro de histórias sufi, que enquanto criança, minha mãe me contava antes de dormir. Essa que acabei de contar era uma das que eu mais gostava de ouvir. Esse tipo de história demonstra a importância de compartilhar o conhecimento, é uma maneira de buscar o comprometimento de todos os envolvidos para a necessidade e a importância de cada ação vivida. Prevalece o fundamento de que Deus é diferente de tudo do que as convenções pregam e do que é tradicionalmente aceito.

Lamentavelmente, quando ouve falar sobre qualquer gesto de solidariedade, o ser humano, de forma habitual, se assemelha com a pessoa que recebeu o gesto e passa a viver como um parasita no hospedeiro, quando na verdade deveriam compreender que abrir o coração para cuidar do próximo é o melhor atalho na busca em se tornar uma pessoa melhor. Esse é o conceito fundamental dessa história sufi, mostrar que quem vive aguardando pela voluntariedade divina, sem em nada cooperar, perde a qualidade de vida.

Lembre-se que sentar e esperar não leva ninguém a lugar algum. Ser solidário é bem melhor, esse é um compromisso pelo qual as pessoas deveriam se obrigar umas pelas outras, já que a solidariedade é o melhor remédio contra a solidão. O sucesso da vida vem da intensidade em se pré-dispor a ajudar as pessoas, e não em se tornar parte dos problemas delas. Pense nisso. 


quinta-feira, 28 de março de 2013

SALVADOR MEU AMOR ETERNO


Banhada pela Baía de Todos os Santos e uma homenagem ao Cristo Jesus, com águas mansas e o céu tingido por um azul luminoso, rica em artesanato, história e com vestígios que indicam a existência de populações pré-coloniais, coloniais e pós-coloniais. Miscigenação cultural e sincretismo religioso singular, patrimônio histórico e cultural da humanidade e ao mesmo tempo roteiro turístico particular dos seus habitantes, essa é a nossa Salvador, primeira capital do Brasil, que amanhã, 29 de março de 2013, completa 464 anos de fundação.

Apesar da manifestação de louvor à Salvador, é fundamental lembrar que vivemos em uma realidade onde são muitos os problemas enfrentados por quem mora aqui. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já somos mais de 2,7 milhões e a nossa capital apresenta problemas típicos de qualquer metrópole, com crescimento desordenado e ocupação urbana deficiente. Entre as questões, engarrafamentos cada vez mais constantes, ocupação de encostas, deslizamento de terra, favelização descontrolada e uma imperfeita distribuição de renda. Mas o pior de tudo é perceber a frustração compartilhada em cada olhar ou em cada coração, ruindo nossas expectativas e o princípio comum de que o passado e o presente são as chaves da ratificação do futuro.
Deixando um pouco de lado a tristeza causada pelos problemas, amanhã é dia de celebração, dia de lembrar que moramos em um cidade especial. Lembrar que apesar das adversidades, a aniversariante é multicolorida, ao mesmo tempo que é rubro-negra, também é tricolor. É conservadora, até os dias de hoje a estrutura física urbana original é do século XVI, a configuração urbana atual é a mesma que se vê na cartografia do fim do século XVII e começo do XVIII. É tropical, com a maior área litoral do país.
Outro adjetivo que caracteriza bem o sentimento por Salvador é a singularidade, vocês conhecem alguma outra cidade de dois andares? Sem contar o grande número de sobrados seculares. Aqui é também a capital da alegria, com a maior festa popular do mundo. É saborosa com os seus quitutes, acarajé, abará, moquecas, bolinho de estudante e o bom e velho picolé da Capelinha. Com tantos jardins – Alá, Apipema, Armação, Brasil, Brasília, Lobato, das Margaridas, Santo Inácio e Nova Esperança - a cidade é verdadeiramente a extensão das nossas casas.


Tudo em Salvador é especial e diferente. Aqui não existe sinais de trânsito, existem “sinaleiras”. Que pelada nada, domingo de manhã é dia do “baba”. E se no “baba” o cara faz muitos gols, ele é “brocador”. Frescura é “chibiatagem”, bagunça é “mulequeira”, as coisas não são legais, são “massa”. E se em outros lugares os amigos se reúnem para confraternizar e encher a cara, o soteropolitano “come água”. No café da manhã não pode faltar o “pão de sal”, e se não conhece a pessoa do lado, então o nome é “coisinha” mesmo. Um soteropolitano não é talentoso, ele é “miserê”. O show pode ser de axé, pagode, rock, samba, arrocha, não importa, no final todo mundo diz que vai para o reggae.


Agradeço a Deus por ter nascido em Salvador, trajeto de todo o meu passado e esboço de um futuro irrigado por encantos e magias, onde a natureza e a alegria reinam. Meu cantinho de comer, de chover e de viver. Encho o peito de orgulho e digo que essa cidade é linda demais. Em qualquer lugar do mundo que eu esteja, sempre voltarei para buscar a minha verdadeira paz. Salvador, seja feliz pelo seu aniversário. Parabéns!

quinta-feira, 21 de março de 2013

FELIZ ANIVERSÁRIO SENNA!!!



“Juro que não entendo esse amor incondicional, em 1994 você ainda não tinha a compreensão exata da realidade, a única imagem que você tem dele em mente, enquanto ainda estava vivo, é o dia do acidente em que ele morreu”. Esse é o questionamento repetido por minha mãe, todas às vezes que entra no meu quarto, e me vê com os olhos marejados, assistindo qualquer novo vídeo ou lendo um novo texto que encontro relacionado a Ayrton Senna.

Na galeria de ídolos e heróis que tenho em meu coração, Ayrton Senna, ao lado de Gheorghe Hagi, meio campista da Romênia, são os únicos que não vi atuando em suas modalidades, talvez seja essa a explicação para o questionamento da minha mãe, toda essa admiração é saudade do que não vivi. Mas confesso que o sentimento por Ayrton é ainda maior em qualquer comparação, em qualquer tempo e/ou condição, ele é um herói, e mais do que isso, um herói do Brasil.

Sua representação é muito maior que sua pessoa. Senna não foi apenas um atleta extraordinário, não foi apenas aquele que se destacou nas pistas como um grande campeão, ele se consagrou como uma lenda, como um ídolo. Senna era uma referência nacional, a figura consistente da transição de um Brasil sofrido para um Brasil vitorioso, vencedor. Através dele concretizávamos o nosso potencial, enxergávamos em cada curva, em cada ultrapassagem, em cada bandeira quadriculada sendo tremulada, o desenho pintado em verde e amarelo de um futuro possível, ainda que fosse apenas durante o tempo exato de uma corrida.


Senna foi uma pessoa iluminada, um ser humano de alma colorida e com um coração irradiante, um ecônomo na essência. Em vida, sem que ninguém soubesse, ele financiava instituições de caridade. Até a sua morte beneficiou a vida de outras pessoas, já que novas normas de segurança foram implementadas na Fórmula 1, novas barreiras, curvas integralmente redesenhadas, altas medidas de segurança e até o cockpit dos pilotos foram mudados, tudo ligado diretamente ao acidente que o vitimou. Sem contar o Instituto que leva o seu nome, a concretização do sonho de Ayrton em ajudar o seu país a diminuir as desigualdades sociais, ajudando a qualificar a educação pública oferecida a crianças e jovens. Sua força interior e disciplina, sua liderança e coragem também são inspiradoras.


Muita gente fala que após a morte, as pessoas deixam de fazer aniversário, passam apenas a completar idade. Mas Ayrton não está morto, pelo menos é o que grita o meu coração. Por isso, eu comemoro os seus 53 anos de idade, completados neste 21 de março de 2013. Porque comemorar um aniversário é ser grato ao passado e esperançoso quanto ao futuro. Não é nenhuma curva de Tamburello que vai fazer eu não lembrar do meu ídolo. Mais que um fã de Fórmula 1, eu sou fã de Ayrton Senna do Brasil.